Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

amanha
por João Vicente

Noel Rosa morreu aos 27 anos. Até onde me consta, entre seu nascimento e o fim de sua vida, foram escritas mais de 300 canções e, até onde considero, um grande número destas eram dotadas de brilhantismo e inventividade únicos. Bradley Nowell, ex-vocalista da banda Sublime, morreu aos 28 anos. Durante sua vida, dentre suas realizações, deixou três belos álbuns que ajudam a constituir o legado de sua banda. Kurt Cobain foi encontrado morto aos 27 anos. Compositor e letrista do Nirvana, também deixou – ao sabor do gosto intrínseco a cada um – obras-primas.

Alguns dias atrás, estive pensando nestas pessoas que produziram tanto, e tão bem, e morreram tão cedo. E, de uma maneira que só o acaso consegue trazer, também tive que pensar sobre a efemeridade na vida há alguns dias. E, por fim, também acabaram por vir ao meu encontro pensamentos sobre como é necessária, nesta vida, alguma urgência. A confluência dessas ideias parecidas me obrigou a tentar entender o que elas têm, de fato, em comum.

Canta o Dead Fish que “há urgência em estar vivo”. E acho que é trivial só perceber isso quando se lembra que um dia se vai morrer. Afinal, se há um bom motivo para fazer alguma coisa que preste, e logo, é porque ninguém vai estar aqui para sempre. No entanto, mais do que fazer alguma coisa, há em todos um potencial imensurável como ser humano. Há a consciência de que somos capazes de construir o que não se pode imaginar, desde que o trabalho necessário seja empreendido. Mais do que isso, a potencialidade de seres humanos organizados, em prol de um objetivo comum, é inspiradora.

Porém, essa mera consciência de que conseguimos realizar nem sempre é suficiente para mover as pedras necessárias para construir o caminho. E sempre que penso nisso me lembro de uma frase de Heráclito que diz, com variações, que “todo animal que caminha é impelido ao seu objetivo à cacetadas“. No caso, nada melhor do que a iminência da morte como uma bela cacetada para mexer os ânimos.

No fim das contas, isso me parece nada mais do que o velho “carpe diem”, que sofre os problemas da habituação na sua existência. Ouve-se tanto a respeito, que seu sentido essencial, nas entranhas, aquele que toca a alma, parece se perder. Acho que todo mundo gosta da idéia de carpe diem, mas o que eu nunca tinha entendido é que para se colher o dia de verdade, é preciso estar inteiro, é preciso estar com aquele ímpeto que só é trazido quando estamos em frente do que consideramos nossos grandes feitos. É preciso ter esse ímpeto todos os dias, em todos os segundos. Como citei alguns textos atrás, diria Fernando Pessoa: “Para ser grande, Sê inteiro: nada / Teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és / No mínimo que fazes. / Assim em cada lago a Lua toda / Brilha, porque alta vive”.

Imagino que as criações de Noel Rosa, Bradley Nowell e Kurt Cobain só foram possíveis porque, em algum momento, eles sentaram-se ao violão e ficaram inteiros, juntaram todo seu ímpeto em fazer uma boa canção. Mesmo que bebendo, fumando ou injetando, em algum momento a criação surgiu como uma manobra do fluxo natural, mas que não seguiria seu curso se a vontade dos criadores não fosse soberana. Se não houvesse alguma urgência em criar, um ímpeto que transformasse a matéria bruta em pedra lapidada.

E ainda bem que essas, e muitas outras pessoas, reuniram e deram foco a seus ímpetos. Pois pudemos ter contato com essas grandes criações, feitas em tão pouco tempo. Essas pessoas provam que muito pode ser feito, desde que se faça. Sei que hoje ainda há tempo de se reencontrar a urgência. Pois então, a hora é agora, porque amanhã, diria Chico Buarque… amanhã, ninguém sabe.


Para descontrair na semana de homenagem.


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Palavrasoltas Vol. 03 - Contemporânea

por Angélica Souza

 

nostalgia

nos.tal.gi.a

3.Derivação: por extensão de sentido.  saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado.

 

Me deixa bem chateada ouvir alguém dizer que na década de 70 foram feitos os melhores rocks, das melhores bandas; Que Pelé foi o melhor jogador de futebol de todos os tempos; Que Elis Regina é a melhor cantora brasileira, etc, etc, etc 

 

Uma coisa que eu gosto, que realmente me dá uma alegria profunda é ver/sentir que sou contemporânea a fatos, pessoas, eventos, coisas marcantes! Marcantes não só para mim, mas para toda a humanidade! Talvez por isso, eu preste imensa atenção nas pessoas e na importância que elas têm agora, imaginando qual será o valor delas no futuro.

 

Para os velhos nostálgicos ou mesmo jovens que não se ligaram nisso eu digo que vivemos na mesma época, somos contemporâneos a:

 

- O primeiro operário a comandar o Brasil; Uma mulher mandando na Alemanha; Um negro como líder da maior potência mundial!


- Michael Phelps: Nós vimos- tudo bem, pela tv - o cara bater o recorde de medalhas em uma única olimpíada.

 

- Roger Feder x Rafael Nadal: Um não seria o que é se não fosse o outro, duelos incríveis que podemos assistir ao vivo do melhor tenista de todos os tempos e do rei do saibro, respectivamente. 

 

- Amy Winehouse, a inglesinha branquela, com estilão de negra gospel, que tem uma das melhores vozes que já ouvi.

 

- A Ivete Sangalo: ok, você pode não gostar da música dela, da voz, de qualquer coisa, mas eu tenho certeza que ela ainda será considera a maior artista que este país já viu.

 

- Eu não vi Pelé, nem Maradona, mas eu vi Ronaldo, Zidane e Romário.

 

E fico atenta em tudo, em tudo que acho vai marcar, vai fazer diferença……. e percebi que faço tudo isso, porque um dia, a nostálgica serei eu.

 

Você, nobre leitor, tem todo direito de não concordar com meu julgamento feito acima sobre tais pessoas. O que na verdade eu quero é que a nostalgia chegue no tempo certo.

 

Fica aqui a dica: viva o agora, seja contemporâneo.



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