Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

terrafinal
por Bruno Brandão e Renato “Picanha” Davini

Atrasado, mas não menos importante, divulgamos agora o vencedor da promoção do Planeta Terra.

O leitor Renato “Picanha” Davini escreveu o final mais criativo, ganhou o ingresso, curtiu os shows e tomou cerveja.

Para vocês curtirem, o texto, com o final do Renato, ficou assim:

A TROCA

Antonio, além da sua mãe, irmã e de sua cadela poodle, a Lorena, possuía uma grande paixão em sua vida: os reis do indie-sintético-eletro-rock-pop, os finlandeses do Destruction of My Self, ou simplesmente DMS, como os recém ganhadores do Grammy eram conhecidos no mundo inteiro.

Em uma derradeira turnê de despedida, chamada “Goodbye My Life”, o trio se preparava para o último show da carreira. E para o desespero de Antonio, a banda diria adeus ao mainstrem no Brasil, a terra do samba, da mulata e do futebol.

O garoto correu, madrugou no ponto de venda e foi o primeiro a adquirir um ingresso para conferir de perto o último show da carreira de sua bandinha do coração, o conjunto que foi a trilha sonora de toda sua adolescência e que o convenceu a entrar na faculdade de Artes Plásticas.

Num sábado de sol, dois meses após a compra dos ingressos, às 11h, duas horas antes dos portões se abrirem, Antonio esperava ansiosamente pelo dia de sua vida.

- Depois de hoje, posso morrer feliz.
Era essa a frase mais repetida pelo jovem que ostentava uma linda tatuagem no ombro em homenagem ao maior nome musical da Finlândia.

No momento em que a equipe de segurança abriu os enormes portões ferro, Antonio correu mais que Usain Bolt e, como se fossem barras de ouro, agarrou as grades que separavam o público do imenso palco montado para os shows. Exatamente, os shows, no plural, afinal o DMS iria fechar o grande festival da cidade, que contaria com mais três bandas que ainda conseguem vender CDs nos dias de hoje.

Rápida como ele e faminta por ouro como Antonio foi, Beatriz, uma loira de olhos castanhos se acomodou no lado esquerdo do rapaz: afoita e ansiosa como ele esteve durante todo o angustiante tempo de espera.

Beatriz era assim: por volta de 1,70, magra, esbelta, decote modesto mas que já chamava a atenção e um suor que a deixava irresistível. Antonio a olhou e a partir daquele momento, após seus olhos encontrarem os dela, sua vida nunca mais seria a mesma. Falou baixinho, como que para todo mundo sentir:

- A mulher da minha vida.

Em vinte minutos, entre goles de água, pedidos de desculpas por pisões involuntários e caricias sensuais bem recebidas, os dois estavam chamando a atenção por conta dos beijos mais quentes que nem um Rock Star poderia experimentar. E demorou para a conversa acontecer:

- Você veio assistir o quê? Perguntou Antonio.
- Waves of Seduction, minha banda preferida e você?
- Destruction of My Self, minha banda preferida também.
- E da onde você é?
- Sou daqui mesmo, de São Paulo. E você?
- Sou daqui, mas moro em Suzuka, no Japão com meus pais. Estou aqui visitando meus avós.

Antonio desabou. O amor de sua vida, mulher dos seus sonhos, modelo feminino que ele sempre sonhou, morava a milhares de quilômetros longe da casa digna de uma família de classe media baixa. Diferente de Woodstock, o sonho acabava ali.

Os shows começaram e neste meio tempo, um produtor escolheu alguns fanáticos da grade para visitarem o camarim do DMS e Antonio, foi um deles. Serviu para aliviar sua tristeza.

Quando o Waves terminou seu show e Antonio, abriu um sorriso envolvente ao saber que agora era vez de sua banda, a mulher falou:

- Vamos para um lugar mais reservado?
- O quê?
- Eu preciso ir embora, pego o vôo ainda hoje. Vamos ali no canto.
- Mas e o show?
- Vem comigo Antonio, por favor.
- E o camarim?
- É a nossa, chance, nossa despedia. Deixa eu te mostrar uma coisa pra você nunca mais esquecer.
- Mas e o DSM, o que eu faço com a banda que me fez mudar de vida?
- Antonio, só você não viu que sua vida está mudando agora? Vamos! Esqueça o DSM!
- E o DSM, como eu vou esquecer o DSM? Sem eles eu provavelmente seria só mais um pagodeiro ou um sertanejo sem muita cultura musical. Olha (mostra a tatuagem)…
- Antonio, vamos lá! Nunca senti nada parecido por ninguém na minha vida.
- Você me tortura, coração, o que é? Por que agora? Por que o Japão? Por que logo hoje? Por que você não ficou nos vagões de metro junto com todas aquelas outras ilusões de amor eterno que eu enfrento todos os dias, em todas estações? Por que logo você, Beatriz?
- Antonio (chora), venha comigo (aperta o braço), por favor. Nosso amor está em risco (aperta forte, chora mais). Acontece que eu.. (soluço).. eu..
- Eu o que Bia?
- (silêncio) Eu quero um filho seu, Antonio… agora!
- Do que você está falando, Bia? Nós nem sabemos o que será do nosso amor amanhã e você já fala em filhos.
- Antonio, escute: minha astróloga disse que eu engravidaria do primeiro homem que eu conhecesse no show do Waves of Seduction. E esse homem é você! Ela falou que eu teria até uma hora depois do show para engravidar!
- Socorro!
- Antonio, preste atenção (segura o choro). Ela falou que esse homem, o pai dos meus filhos, seria o amor da minha vida. Você não me ama? (lágrima escorre)
- Amo, Beatriz, mas é …
- Mais que o DSM?
- err. si.. nã… Não sei dizer. Amo você mais que chocolate, mais que banho quente, mais que doce de coco. Agora, mexeu com o DSM, mexeu comigo, entende?
- Tudo bem (furiosa), vou ter um filho com aquele gordo barbudo ali do canto. Assim que você chegou ele estava a poucos metros de alcançar as grades. Ele pode ser o vencedor, já que você deu WO.(mais uma lágrima)
- E se a gente fizesse amor no camarim, como os rock-stars? Nasceria um novo deus da guitarra, uma nova diva do pós-punk!
- Não, Antonio. Sou uma mulher de respeito! Não é porque precisamos ter um filho, que vamos sair transado por aí. E vai ter gente olhando, suor no camarim… eca!
- Olha, Bia, desse jeito…
- Precisamos de um bebê. (soluço) Que história seria melhor para contar para seu filho do que essa? Aposto que você gostaria de ter sido concebido no show da vida da sua mãe e pai!
- Mas filhos, essa hora? Prefiro um cachorro. Vamos casar saindo daqui, compramos um puddle e fica elas por elas. Que tal?
- (chora copiosamente) E nosso Van Hallen, amor? E nosso Dee Dee Ramone?
- Esse pode ser o nome do cachorro. Eu sempre esperei por esse momento. O show vai começar!
- EU TAMBEM, ANTONIO!!! (desespero-cade-meu-chip) Escolha: o camarim ou o amor eterno.
- Ao camarim! O show da minha vida é maior que o amor eterno!

Virou as costas e correu para o camarim. Nunca mais ouvimos falar de Beatriz. Para onde foi, se teve filhos ou não, se seu nome era mesmo Beatriz. Antonio a procurou, é verdade. Com muito afinco vasculhou a internet, viu todos os vídeos do evento, interrogou pessoas presentes e chegou a pagar um detetive particular no Japão. Nada.

Antonio nunca teve filhos, nem se casou; nunca viu o amor de uma mulher tão perto novamente, nem comprou um puddle. Hoje, proprietário de uma casa de sucos, afaga o ombro com a tatuagem do DMS toda vez que passa o seguinte conselho a sua jovem clientela:

“Filho, existem dois tipos de amor: aquele que a gente sente a flor da pele e aquele sonhamos sentir um dia. Com o DMS, eu conheci os dois – e só de pensar que tinha uma mulher tentando me distrair com um papo de filhos e amor eterno. Vou te contar, essa história de casamento, filhos… é cilada na certa…”

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Este post foi criado, elaborado e publicado no ritmo do Planeta Terra 2009. Para saber mais é só entrar no balanço e acessar o site oficial do festival clicando aqui.

Muito Horrorshow no Planeta Terra 2009 – Um festival, várias experiências.


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Brasileiros e brasileiras, Michael Jackson, o Rei do Pop, morreu ontem aos 50 anos. Um dos maiores ícones da música mundial sofreu uma parada cardíaca e faleceu às 13h07 em Los Angeles (17h07 de Brasília).

O cantor preparava uma temporada de 50 shows em Londres em comemoração ao seu meio século de vida. A turnê iria se chamar “This is it” e seria a primeira desde 1996, época do lançamento de sua coletânea “HIStory”.

Michael certamente foi um dos mais talentosos artistas de todos os tempos e a sua importância para a música é sem dúvida comparável a ícones como Bealtes, Elvis Presley e James Brown. Ele transformou uma geração inteira e abriu as portas do mundo para a música Pop, gênero que para sempre vai tê-lo como rei absoluto.

Michael bebeu de diversas fontes: soul, funk, R&B e respirou ares até do Heavy Metal. Fez o disco mais vendido de todos os tempos (Thriller, de 1982) e transformou os seus clipes em verdadeiros curtas-metragens. Pelo lado musical, que modéstia parte posso falar com mais critério, Michael é imbatível. Uma espécie de deus da dança, dono de uma voz insuperável e detentor de um carisma que conseguia enlouquecer fãs ao redor do mundo mesmo com todas as bizarrices que circundaram sua vida a partir do final dos anos 80/início dos anos 90.

Minha geração e teimo a dizer que muito provavelmente as próximas também, nunca mais verão um artista tão completo como Michael Jackson. É um desses ícones que vem, vão e nunca mais voltam. Não há hit-maker que consiga transformar uma pista de dança como ele transformava. Don’t Stop ‘til You Get Enough e Smooth Criminal são exemplos disso.

Ritmo puro. Swing invejável. Refrões que são incapazes de se esquecer. Michael guarda em cada um de nós, uma sonoridade irresistível. Deixa um trabalho impecável que só alguém como ele poderia construir: desde os Jackson 5 até os seus últimos lampejos de genialidade nos anos 90.

Michael era um gênio. Digno da alcunha de rei. E daqueles governantes que recebem aprovações expressivas. Não se pode e nem conseguimos colocar defeitos naquilo que ele criou. Mestre.

E como forma de homenagem, durante toda a semana que vem, os textos aqui publicados trarão o Michael em suas histórias. E você, vai poder respirar os últimos suspiros do Rei do Pop. E também escutar: basta ouvir um Top10 dele que está no widget aí no sidebar do Muito Horrorshow.

Aproveite.

Um forte abraço,
Bruno Brandão.

Fique com um vídeo de uma versão de Smooth Criminal ao-vivo:


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Galera Horrorshow, novidades no blog.

 

A partir dessa semana, teremos quatro dias de textos aqui no seu diário virtual preferido.

 

Segunda-feira, meu amigo Fabio Lattes, redator publicitário, EX-ESPM e natural de Barão Geraldo, trará as suas palavras até o Muito Horrorshow.

 

Quarta-feira é a minha vez. Eu, Bruno Brandão, trarei palavras harmoniosas para vocês.

 

Quinta é dia de Angélica. A presença feminina do recinto trará frases femininas para quem quiser ler.

 

E finalmente, sexta-feira, para fechar bem sua semana, o colega redator e ex-pirata em atividade, Jonis, nos presenteará também com suas criações.

 

O tema é livre. Não nos prenderemos a um objetivo comum.

Contaremos histórias, traremos opiniões e falaremos bobagens. E você é quem aproveita.

 

Apareça por aqui e boa leitura.

 

E pra começar, já que é segunda, levo até vocês no próximo post a coluna do Fabio: Acepipes.

 

Até a próxima e obrigado.

Brandão.

 

No iPod toca: Robocop Gay – Mamonas Assassinas

O tempo lá fora é de: ótimo pra uma praia.

Estou lendo: Sexo, Drogas e Rock’n’Roll – Freddie Gershon

O último filme que eu vi: Trama Internacional (*** - Bom)


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