Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

Palavrasoltas Vol. 02 - Feliz Carnaval

por Angélica Souza

 

 

Caros,

 

Nas últimas semanas tive uma sobrecarga laboral  que não me permitiu postar as bizarrices que tanto gosto e nem cumprir o meu compromisso como colunista do blog.

 

Peço sinceras desculpas e tentarei não mais falhar com vocês.

 

O carnaval, a festa da carne e do pecado, está chegando, hora de muita alegria e foliagem. Recuperarei minhas energias para voltar com tudo e possivelmente mais redatora.

 

A mensagem para este lindo momento  de importância nacional é: foliem bastante, bebam o suficiente e façam o que tenham que fazer.

 

Deixo para vocês duas frases conflitantes para reflexão nesta época de tantas festas e loucuras:

 

“Acordo arrependido, mas não durmo com vontade”

 

“Antes de usar camisinha, amigo, use seu coração”

 

Sucesso para vocês!

 

Viradouro no Rio

 

Vai-Vai em São Paulo

 

 

Até a próxima, pessoal.


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Acepipes Vol. 03 - Clichê

por Fabio Lattes


Não sei como atualizar sempre essa desgraça. A idéia de teclar num blog foi me cobrar a escrever menos no vapor do vidro do box - o meu é de plástico, mas por elegância decorativa resolvi mudar o material - e mais neste word vista que visa ser meio chato de se acostumar.

 

Quando a criatividade saí para comprar cigarros e nunca mais volta, a opção perfeita para quem quer mexer os dedos sem saber para o que é justamente escrever sobre o que não ter que escrever. Coisa que Zach Halm e suas cigarrilhas verdes exploraram muito bem no putaqueparilmente dahora (formidável, em termos cinéfilos) “Mais Estranho que a Ficção”, recém-alugado com oito reais de multa por atraso. Para quem não assistiu, nele vemos Will Ferrel de camisa o filme todo, bêbado de paixão e biscoitinhos, descobrindo se sua vida se encaixaria na literatura como comédia ou tragédia.


O fato é que se você não for o Zach Halm ou não souber mexer bem nesse word, contar sobre a própria ausência criativa é quase tão inovador como terminar as loucas peripécias de um personagem com ele acordando de um terrível pesadelo, vendo que estava o tempo todo numa indigesta siesta ao som da abertura do vídeo show.


Clichês existem, e nos perseguem como cerveja em dias de sol, chuva ou vento. Uma vez ouvi que o maior dos clichês é fazer do inofensivo mordomo o perverso e maquiavélico assassino, no melhor estilo Código da Vinci de finais surpreendentes. Entendo o apelo do elemento surpresa que um empregado doméstico fantasiado de 007 pode ter para uma trama, mas o único serviçal que já vi como assassino foi o Adalberto, da Próxima Vítima.


Da enorme lista de clichês que por preguiça não listei, existe um que coroa todos. Sentado a direita de “foi tudo um sonho ruim”, todo-poderoso, usar irmãos de mesmo óvulo para atiçar o mistério de uma trama ofende até a mais singela das inteligências. Por terras de Roberto Marinho, já ficou comum aparecerem gêmeas idênticas, opostas em caráter, com a parte malvada do sobrenome passando pela irmã bondosa, seduzindo o galã e não abaixando a tampa do vaso.


Seja qual for, o que mantém acesa a chama francesa do clichê é garantia de que, como um filho ausente, ele será sempre bem recebido. Sua ótima aceitação em novelas e filmes de domingos chuvosos garantem o leite das crianças de roteiristas, que encontram nele a salvação para um prazo que esqueceu de trazer uma musa inspiradora. No caso das novelas, existe um consenso silencioso por parte de público e autores a favor do que é óbvio e previsível. Penso que quem chega cansado de mais um dia de labuta, trabalhando para álguem que - usando de um eufemismo afeminado - há de ser fruta, quer mais é mergulhar no carioquês do Brasil Projac, e ver brilhar diante de seus olhos o entrelace de histórias que tem a garantia de terminar bem. Na pior das hipóteses, com um belo casório.


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Happy Hour Vol. 01 - Licença para Matar

por João Guilherme Pires
 
Mais uma do Almeida, matador de aluguel aqui de São Paulo. Que não é qualquer um. Como todo profissional da capital ele tem MBA, especialização, morou na Europa, adquiriu expertise e hoje é um cara bem sucedido no que faz.
 
-       Oi, com licença….

-       Pois não?

-       Senhor Carlos Mesquita?

-       Sim.

-       Carlos Mesquita, gerente da Blindex, filho da Dona Carmen e do Seu Porfírio?

-       Eu mesmo.

-       Então, Sr. Carlos, desculpe-me a intromissão mas tenho assunto de extrema urgência pra tratar com o senhor.

-       Manda.

-       Preciso lhe matar.

-       …

-       …

-       Como assim?

-       Encomendaram.

-       Quem?

-       É sigiloso.

-       Mas…

-       Informação estratégica. São os ossos do ofício, você também não sabe a fórmula da Coca-cola, e bebe pra caramba.

-       E como assim, você sai avisando as pessoas que vai matar elas? Porque não mata logo de uma vez e evita toda essa angústia e sofrimento psicológico. Agora eu já to pensando: não escrevi livro, não plantei árvore, tive um filho mas minha mulher não sabe, não me confesso há anos, vou pro inferno direto. Isso é, se existir inferno!

-       Isso, pense positivo.

-       Positivo o quë?

-       Não existir inferno, oras.

-       E se não existir, tem o que? O nada?

-       Bom, se for nada, então não existe. É o não-existir.

-       Pois é, e eu até hoje não sei como é não existir.

-       Ué, como na época antes de você nascer. Você simplesmente não existia.

-       Essa finitude é tão repentina. Não sei o que vai acontecer, sabe o que é isso?

-       Sei, todo mundo reclama. Mas fique tranquilo, logo você já vai saber.

-       Ai…

-       Mas chega de nhem-nhem-nhem. O senhor me dá licença?

-       Vai embora?

-       Não. Antes preciso completar o job. Sou profissional.

-       E licença pra que?

-       Pra lhe matar ué. Já disse.

-       Preciso dar licença para você me matar?

-       É. Tive que renovar a minha Licença para Matar, mas bombei no teórico, vou ter que fazer cursinho.

-       E se eu não der.

-       Não posso. Mas aí você precisa assinar este formulário.

-       Só isso?

-       É.

-       Então tá. Não dou!

-       Tem certeza?

-       Sim, onde assino?

-       Aqui.

-       Pronto.

-       Quer ler?

-       Precisa?

-       É bom.

-       Tá.

-       …

-       Epa…

-       …

-       Isso aqui é, eu acabei de assinar, Contrato de Licença?

-       Pois é.

-       “Eu, Carlos Mesquita, cedo, sob livre e espontânea vontade, o direito à vida ao Contratado M.F. Almeida, conforme previsto neste documento, sem direito à…” Mas o que é isso? Cretino! Você me enganou!

-       Não. Você é que não leu as letras miúdas. Sou profissional. Esse é meu business, que aliás é como todos os outros. Ou você queria que a Coca-Cola fizesse anúncio falando que engorda?


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brandão.txt Vol. 02 - Quando o banheiro da agência entupiu

por Bruno Brandão


Tomaz era tímido. Bem tímido. E desde que ele entupiu a privada da agência e causou o maior prejuízo para o Seu Pereira, ele tornou-se ainda mais fechado para tudo e para todos.


Naquela quarta-feira, a única que tinha visto o autor da proeza inimaginável - a água subiu de tal maneira, que invadiu a sala da informática e queimou três computadores de última geração – tinha sido a Dona Josefa, a tia do café.


Só ela sabia que foi Tomaz, o consagrado finalizador de imagens, que tinha entupido o banheiro masculino e deixado um estrago que rendeu até choro nas meninas da recepção. Elas não agüentavam o cheiro que invadiu toda a agência. O Seu Pereira teve até que cancelar o expediente daquele dia e dos outros dois próximos. A equipe de dedetização teve um trabalho danado.


A onda de acusações foi tremenda, rendendo suspeitos para todos os lados: desde os meninos da criação até o Jackson, o motoboy, que mal aparecia na agência.


Seu Pereira virou uma fera como ninguém nunca tinha visto igual. Nem o Arnaldinho, VP de atendimento, que trabalhava na PP Comunicação fazia anos. O chefão gritava até para quem não queria ouvir:


- É justa causa! Eu to falando, é justa causa. Meu deus, em 65 anos de vida nunca vi algo dessa magnitude.


Desesperado para se safar, Tomaz não tinha o que fazer além de subornar a testemunha única Josefa, a tia do café. Fez então a proposta:


- Olha Jô, não quero perder o emprego, então daqui pra frente te dou 30% do meu salário e você fica de boca fechada. Ok?


- Ok menino. Mas olha, vou te falar, nem lá no Amapá eu vi coisa igual. Cruzes.


E assim foi de lá pra frente: todo mês Tomaz recebia e sacava do banco 30% para dar para a Josefa.


Depois de um tempo, a agência até se esqueceu do episódio. Mas o assassino da louça nunca foi encontrado, as investigações não conseguiram encontrar um culpado. E as fitas das câmeras de segurança daquele dia haviam misteriosamente desaparecido.


E a história assim entrou para os anais da agência, sem nunca ninguém saber que a partir daquele dia, Tomaz recebeu um aumento de 200% em seu salário.


Só ele tinha visto o Seu Pereira sair do banheiro desesperado. E com a água já em seus sapatos.


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Acepipes Vol. 02 - Da Era do Fogo ao Fogo da Paixão

por Fabio Lattes


Há muito tempo, muito antes de maçãs virarem cidra cereser e cobras terem malícia no nome, os seres humanos logo caíram em desgraça com o sexo oposto. Partimos do princípio Criacionista, que da costela foi criada a primeira Mulher. Pronto. Juntou costela e mulher na mesma frase, e o churrasco de Adão expulsou por um mal entendido entre cromossomos o primeiro casal Unibanco - e possível família Doriana - do Clube de Campo Paraíso.

 

Pro lado do Darwin, o que era pra ser simples, no mais “mim Tarzan, you Jane, bora fazer momô na moita?” possível logo virou pó num pilão da idade da pedra. Quando parâmetros que não a habilidade de caçador, corredor e bom provedor para a prole se perderam nas nuances e imprevisibilidades do gosto feminino, nascia o que conhecemos hoje por Sistema Moderno de Conquista, que tão cedo alterou nossa forma de procriação e perpetuação da espécie. Isso mesmo, meu caro Piteco. Nós nos tornamos animais racionais de fato quando começamos a esperar por um sinal de fumaça no dia seguinte.


A grande invenção que mudou nos trouxe dos tempos das cavernas, ao alegre mundo visto pelo youtube, não foi a roda, a plantação ou muito menos o fogo. Mas sim, quando um neandertal usou a roda para buscar o dente-de-sabre (o termo “gatinha” viria posteriormente) na caverna de carroça nova, levando flores recém colhidas para assar uma perna de brontossauro.*


N.A: *fidelidade à paleontologia e embasamentos históricos foram desconsiderados nesse artigo.


Quando o primeiro Neandertal trocou a clavada na cabeça por um vinho ao pé da fogueira da caverna, o mundo mudou. E quando esse pobre barbudo viu sua pretendida preferir mesmo assim um traumatismo craniano por clavada, nasceu a dúvida. Foi aí, há muitos zeros A.D. (Antes de Dercy) que um magoado caçador de mamutes comentou com seu colega de lança o clássico “mulher, cara, eu juro que não entendo”.


Nada de um ser de Vênus e outra de Marte. Lá mesmo, nos primórdios humanoídes do nosso planeta azulzinho, a mágica desintonia entre homens e mulheres já acontecia. Para as mulheres, desde sempre a incompreensão vem infundada. Homens – como até hoje - de tão ridiculamente simples e previsíveis incitam que a mulher prefira complicar do que tentar conviver com o simples monte de pêlos e libido que se derrete por ela - com caspa, com afeto.


Para a Neandertala, um grunhido diferente podia dizer muita coisa, levando a horas de conversa entre vizinhas de caverna tentando compreender o que ele quis dizer com o som mais nasalado. Era só o ronco de sua barriga, minha filha. Tempos difíceis para caçar pterodátilos. Acontece que tanta semelhança com o comportamento feminino nos anos 00 (que logo viram anos 10) tem sua explicação clara como uma sopinha da Galinha Azul. Em muitos âmbitos, e principalmente nesse, não mudamos muito do comportamento de nossos antepassados e antenamoros. E te digo o por quê.


Hoje, numa era na qual o google é a descoberta mais importante que o fogo, queremos nos distanciar da nossa origem. Pêlos são depilados, apêndices removidos e dentes do ciso destroncados da gengiva num ritual de carnificina.


O fato é que existe algo que não dá para remover muito menos fugir, e isso se chama genética. O instinto. A vontade que vem de dentro e geralmente aflora após doses de Dry Martini no coquetel da empresa. (”ai, como sobe rápido essas coisas” – frase clássica). São das letrinhas em espiral armazenadas no nosso console que partem as atitudes clássicas de homem e mulher, e que validam a semelhança atemporal na conquista.


As letrinhas que levamos desde sempre transparecem nas nossas atitudes, nos telefonemas embreagados pelas madrugadas, na nossa linguagem corporal.


O corpo violão tão bem descrito em versos de bossa nova não passa de uma segunda definição para o que a sopa de genética escreveu. E o contorno feminino só confirma: mulheres são pontos de interrogação ao contrário. Uma dúvida ambulante, vendendo “talvez” por ruas de relacionamentos pavimentados pela indecisão. O “sim” tem efeito contrário, valendo o mesmo para o “não”. E isso ainda se agrava (ou melhora…) pelo fato de que por mais que o mundo tenha bilhões de pessoas e os chineses contribuam para aumentar esse número, cada mulher tem a sua peculiaridade, o seu charme, o seu jeito. Não há como o Piteco de Cera no Cabelo e Ipod no Ouvido de hoje definir um padrão para as atitudes e reações específicas de cada ponto de interrogação que ele conhece.


E os Homens, desde os tempos da pedra lascada, são um sinal de exclamação. E não é somente ao falo que me refiro, meu ou minha colega horny. Tá certo que o menino tem uma grande influência, impulsionando como um atleta no salto com vara as mais impressionantes puladas de cerca. Mas o masculino ponto de exclamação também mostra o quanto homens são diretos e claros como seu parente com apêndice e dente do ciso. Quando a paixão ou o próprio desejo batem, a vontade de conquistar a clavadas se mantém com a mesma intensidade, substituindo pauladas por cartão de crédito, cheque especial e aquela lábia antes de unir os lábios.


- Homens, quem os entende?

- Mulher né cara… Vai saber!



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