Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

faustao4
por João Guilherme Pires

Almeida. Assassino profissional. Pós Graduado. Atualmente cursando Técnicas de Tortura Medieval em Oklahoma. Sempre que escrevo isso, tenho a impressão de estar copiando alguém. Não sei. Não importa. Pessoas como eu, aliás, se importam pouco com coisas. É a vida. Ou a morte, no meu caso.

Às vezes me pego pensando nas putas: elas, como eu, devem ver cada coisa por causa da profissão que exercem. Passagens inenarráveis, fatos absurdos, gordos impotentes e cheiradores.

Gordos. É deles que vou falar hoje. Gordos são difíceis de se lidar. Ocupam espaço, suam, encarecem a conta, sujam a camisa de molho. Roncam.

Mas não foi nada disso que levou meu caminho a cruzar o de um gordo especial. Você deve conhecer. Ele vive na televisão.

A história começou na Rússia, alguns anos atrás. Conheci o Oleg Nikiforov em um albergue na Letônia. Eu estava num mochilão. Eram outros e inocentes tempos. Russo, Oleg era um jovem militante comunista, estudante de filosofia na Universidade de Lomonosov, em Moscou. Saudoso dos tempos da Revolução de Outubro, das greves operárias, do Trotskismo e dos gulags soviéticos. Mais tarde entendi: era workholic e adepto de práticas sadomasoquistas.

Certo feita, há algumas semanas, ele me ligou:

- Almeida?
- Quem fala?
- Oleg, Oleguinho.
- Quem?
- Letônia, nos conhecemos em uma festinha muito louca. Lembra? No final você estava num 69 alucinado com aquelas gêmeas siamesas…
- Sei sei, pode falar.
- Preciso dos seus serviços.
- Vamos nos encontrar.

Marcamos no Filial, um movimentado bar da Vila Madalena que remete aos anos 50, com chope cremoso (Brahma, 330ml, R$ 4,50), colarinho caprichado e horário flexível. No dia da visita, a linguiça toscana com couve-flor não decepcionou.

- R$ 5 milhões! R$ 5 milhões por mês e tanta gente no mundo na miséria!
- Entendo.
- Você consegue?
- Sou um profissional. Mas o cachê será alto.
- Temos R$ 20 milhões.
- Acho que dá…

Ele me explicou. A notícia de que um famoso apresentador de televisão do Brasil renovou seu contrato por um valor astronômico repercutiu nas inúmeras e perseverantes organizações comunistas do mundo. O Partido Comunista da Rússia então resolveu agir, acreditando ser essa a oportunidade para o primeiro novo passo em direção à Ditadura do Proletariado. Arrecadou doações, mobilizou integrantes do partido, vendeu vodkas artesanais, patrocinou ensaios nús de tenistas russas, cooptou Partidos Comunistas ao redor do mundo e, por fim, chegou à soma em questão. Restava agora arranjar alguém quem fizesse o serviço.

- Fechado. Aguarde notícias.

O planejamento foi minucioso. A vítima vivia em uma mansão imponente, digna de seu porte físico. E, como era de se esperar, muito bem vigiada. Mas um bom profissional supera os obstáculos, basta apenas ter um bom estratagema.

Enfim chegou o Dia D. Ou Dia G. Não revelarei os meios – repudio o Mister M -, mas me desvencilhei do que era necessário e fiquei em posição. Bastava aguardar o momento certo para o golpe fatal.

Vi que ele chegou. Aliás, fui implacavelmente informado, pois assim são os gordos quando adentram um aposento.

Ao aplicar a tática do estrangulamento com fio ultra-fino-que-sai-do-relógio-de-pulso, fui surpreendido e falhei. É. Um erro de cálculo. A arma era feita para pescoços normais. Não contava com aquela camada extra de gordura que não me permitiu travar o golpe. Ele reagiu:

- Ô loco meu!

Eu estava rendido. A missão teria de ser repensada. Resolvi adotar a tática chinesa do Xian. Significa Finjo-que-me-arrependi-e-sou-seu-amigo:

- Desculpe…. eu…fui contratado para matar você.
- Olha aí meu, grande fera!
- É…
- Eeeeita!
- Pois é. Mas deixa pra lá, vou indo nessa.
- Como você chama?
- Almeida.
- Glorioso Almeida, quem contratou você?
- Não posso revelar.
- Grande fera bicho, profissional de respeito. E vão pagar quanto?
- Não revelo.
- Eu dobro, pra você não me matar.
- …
- …
- Fechado.

Desculpe decepcionar algum leitor, mas foi isso que aconteceu: o gordo comprou a própria vida. No fundo, até simpatizava com a causa de Oleg. É muita grana pra uma pessoa só. E ele nem faz os merchandisings direito. Nunca sabe de quem ou do quê está falando. Mas o mundo é assim. Rorschach que o diga. Paciência. Negócios são negócios. E uma coisa que gordos sabem fazer bem é negociar. Ninguém consegue atingir um tamanho assim sem algum poder de persuasão.


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gripesuina
por João Vicente

Em 19 de julho de 2009, a Folha de S. Paulo noticiou, em chamada na capa: “Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses”. Na edição de domingo – tradicionalmente a edição de maior circulação e público da semana. Na matéria, o jornalista responsável (?) esclarece (?) os possíveis quadros de propagação da doença segundo um documento feito em 2006, pelo Ministério da Saúde, com base em estudos da gripe aviária. Assim, são destilados números assustadores a respeito da gripe suína, no entanto, embasados por um caso incompatível. O que levaria a tal contradição?

Com o foco agora em fatos, o entrevistado que contribuiu com a reportagem foi o Dr. Eduardo Hage, diretor da Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde. É possível inferir, na leitura da matéria, que houve precaução do entrevistado em alertar quanto à falta de validade na comparação entre os dois casos. No entanto, a cautela do médico passa batido na reportagem. Em entrevista ao site Viomundo, o próprio dr. Eduardo elucida: “A reportagem da Folha do domingo sobre gripe suína é totalmente furada. Uma irresponsabilidade. Há um erro capital na reportagem, e o jornalista foi alertado”. Ainda, afirma: “Os parâmetros utilizados pela Folha de S. Paulo não têm base epidemiológica, estatística. É pura ilação, sem qualquer base científica. Foi um chute a quilômetros de distância do alvo”. Por fim, diz: “Só espero que esses cálculos equivocados não sejam uma tentativa de gerar desinformação, como aconteceu na febre amarela”.

Ainda sobre fatos, o site Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, entrevistou o Dr. Marcos Boulos, professor de moléstias infecciosas e parasitárias da Faculdade de Medicina da USP, e atualmente seu diretor. O jornalista oferece um resumo da entrevista, com algumas importantíssimas passagens: Das doenças infecciosas, a gripe suína é uma das menos graves. / Ela mata tanto quando a gripe sazonal, que vem em todo inverno. / O sarampo mata 40 vezes mais. / A meningite, 200 vezes mais. / Quando a mídia só chama a atenção para as mortes, para os fatores negativos da doença, isso é alarmismo. / É necessário noticiar, uma obrigação da mídia contribuir para que as pessoas conheçam a doença e a maneira de enfrentá-la. / A novidade dessa gripe em relação à gripe sazonal é que essa gripe suína compromete pessoas saudáveis. / Enquanto a gripe sazonal costuma pegar em criancinhas – cujo sistema imunológico ainda não está formado – e em adultos da terceira idade.

As menções que ambos os entrevistados fazem sobre um papel da mídia em meio a estas crises – gerar desinformação e alarmar – trazem algumas reflexões. A cobertura do crescente número de mortes, dia após dia, mais parece um bolão da morbidez do que jornalismo responsável e investigativo. Além disso, a incoerência entre os fatos – ou a verdade factual, como diz Mino Carta – e o que tem sido enfatizado pela grande mídia leva a questionar quais são os interesses presentes em matérias como a mencionada. Alguns jornalistas apontam certas hipóteses.

Há o velho enredo da mídia (envolvida com a oposição) que tenta desestabilizar o governo com a ostentação de crises. É razoável admitir que a população enxerga no governo a possível solução (ou causa) dos grandes problemas que a afligem. Uma grande crise, independentemente de sua natureza, tende a marcar um governo, qualquer que seja. Também mantém-se a hipótese de que a população em pânico poderia lotar os hospitais e “jogar a conta nas costas do governo federal”, como também diz o site Viomundo. Ainda, cresce a hipótese de que se tenta derrubar a bem-avaliada gestão do atual ministro da saúde, José Gomes Temporão. Como se sabe, José Serra, provável candidato a presidência da república em 2010, ocupava o cargo e não era do ramo, como pode-se depreender neste vídeo do ex-ministro falando sobre a gripe suína.

Apesar da atuação de determinados segmentos da mídia, a população não é ingênua. Longe das idéias de manipulação absoluta dos meios de comunicação, as pessoas pensam e reagem ao que são expostas. Os interesses aos poucos caem, se depender do bom jornalismo denunciativo e da educação progressiva do povo. Caríssimo visitante do Muito Horrorshow, cuja leitura tanto me honra. Leia CartaCapital. Leia Paulo Henrique Amorim. Pelo bem da sua saúde, física e mental.


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cesar
por Bruno Brandão

- O que Barbara?
- O que o quê?
- Você acabou de me chamar de César.
- César?
- Cé-sar.
- Ave César eu disse.
- Não disse não.
- Paulo, eu disse Ave César!
- E?
- Tá gostoso e você é meu Imperador.
- Estamos em Roma agora?
- Sì Signore!
- Roma Antiga?
- Antes de cristo.
- E você, quem é?
- Como assim?
- Da Roma Antiga, quem você é?
- Sua escrava imperador.
- Ah é?
- É.

Paulo, o Imperador, nunca acreditou na história mal contada da mulher, mas continua com ela até hoje.
E Barbara, a Escrava, também nunca contou a verdade, mas continua aceitando as chicotadas que recebe nas noites de sexo. Até hoje.


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amorinternet
por Fabio Lattes

“É hoje!”, pensa Carlinhos esfregando as mãos mentalmente, uma vez que seus dedos estão todos postos no teclado. Já é noite na sua casa, e todos da sua família dormem o pesado sono de um dia pegando no batente.

Final do dia para uns, começo de uma promissora noite para outros. A linha está livre. Como Angus MacGaiver a escolher entre o fio azul ou vermelho, Carlinhos se acocora atrás do computador de mesa. Com cuidado e frieza, despluga o fio transparente de ponta cúbica do telefone, e o encaixa no modem do computador. Em cliques ansiosos, ele ordena que seu Windows 98 o conecte à internet.

Começa a contagem regressiva para o mundo da sedução. Ruído, chiado, barulhos, expectativa. Pimba! Online na rede mundial de computadores.

São poucos os que de fato escutaram uma buzina como essa pessoalmente. Contudo, para adolescentes como ele, não há nada mais familiar que esse barulho. Um longo e sonoro “PUOOOOON”.

De chegada no seu porto, um enorme navio carregado de expectativas.

O encontro já estava marcado, 11 da noite. Lá estava ela, emperiquitada com emoticons no nickname, a espera do primeiro contato. E para Dani, Carlinhos ofereceria o mundo e uma flor verde-limão, dando um oi com barulhinho engraçado.

Passaram-se 10 anos, algumas horas assinalando questões múltipla escolha com grafite tremido, um dia de cabeça raspada e tinta guache pelo corpo, muitas festas, choros e risadas. E hoje, Carlos todo dia das 9 a um 8 deitado, está online com o rosto iluminado por um monitor. E o que antes era mais uma ferramenta para combinar a ida à sessão das 8 de Titanic, hoje é simplesmente sua vida. A nossa vida.

Surfar na web era um esporte praticado por Carlinhos e seus amigos. A internet se tornou o ar que respiramos, em todos os planos e para fazer nossos planos. Hoje, muito além de pagar uma conta sem sair de casa ou despachar trabalho com um clique no outlook, as nossas relações pessoais dependem, mesmo que não integralmente, do auxílio da rede mundial de computadores. Nesse final dos anos 00 e além, somos internautas de escafandro complemente submersos nesse vasto oceano chamado web.

A prova disso está numa disciplina que até virou ganha pão. As redes sociais. Sites de relacionamento que tornaram-se gigantescos cardápios online. Afinal, que não é um Orkut ou Facebook senão uma uma página com frases de efeito e fotos selecionadas para um menu com barra de rolagem? Cada moldura clicável é como um prato: “Delicioso advogado de 26 anos, feito a partir de uma boa família de São Paulo, refogado com hábitos esportistas e baladadeiros, com um tempero de bom humor.”

Mesmo com as vastas possibilidades de ter extensões online da sua imagem para o sexo oposto, a essência das relações humanas é a mesma desde o tempo dos avatares em pinturas rupestres. Afinal, atrás do azulado do monitor existe alguém de carne, osso e ansioso, a espera da resposta de seu scrap ou do piscar alaranjado de um MSN com a mesma expectativa que Judite esperava por cartas de seu amado Bartolomeu. Hoje, só é tudo mais rápido e com mais recursos para contato do que um recado ou um telefonema rezando para que o possível sogro não atenda.

Com a internet e suas ferramentas, jovens enamorados se encontram e dançam o jogo da sedução de diversas maneiras. Se Carlinhos hoje decidisse reencontrar Dani pelas esquinas da vida, entraria na comunidade “Ex-alunos Colégio São Clemente”, descobriria se namorava e por onde andava, adicionaria no MSN, mostrando que seguia seu Twitter por recomendar seu post no garotasdepatins.blogspot ou o último vídeo engraçado do Youtube.

Para pedir risoto e meia garrafa de vinho com Daniela ao outro lado da mesa, Carlos acessou e usou cinco ferramentas diferentes, fora as mensagens de texto tecladas em momentos de inspiração alcoólica.

E todas elas conversam e convergem entre links e entre si, para o grande momento. A hora de mostrar-se olho no olho (não existe webcam) ser tão interessante quanto o perfil de quatro linhas ou engraçado quanto o tweet sobre o que aconteceu com ele numa terça de manhã. Nessa hora, ao som do tintilhar de pratos e música ambiente, não existe tempo de resposta cronometrado pelo pueril “C@rlos está digitando uma mensagem”. São instantes que a banda The Carlos precisa mostrar ser tão boa ao vivo quanto o trabalhado CD de estúdio.

A internet hoje é um claro reflexo da nossa geração: imediata, sem tempos para loadings e barulhos antecedendo a conexão. Queremos tudo, e agora. Acontece que não importa o que você tecla ou o endereço que escreve depois de 3 dáblios. Não é online que se roçam pés gelados entre cobertores.


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casoriojonis
por João Guilherme Pires

Outro dia fui à um casamento. Aliás, já disse que adoro casamentos?

Pois é. A comida geralmente é muito boa, embora eu não entenda aquela especial predileção por escalopes ao molho madeira. Mas neste último estavam servindo um canapé de tartare que não era menos do que genial.

A bebida então, nem se fala. O velho amigo de 8 anos é garantido. Mas quando a família tem o que gastar, fica ainda melhor. Estávamos no bom e velho Black Label.

Aliás, porcentualmente deve ter sido ele o responsável pelas gravatas na testa, camisas com pizzas exuberantes, padrinhos olhando para quem não deviam, primas de vestido coladinho e fio dental dançando empolgadíssimas com quem não deviam. Não, não. Pensando bem, neste último caso o culpado é o prosecco.

Anyway, não é gastronômico nem voyeurístico meu interesse pelo casório.

O lance é a cerimônia.

Reúnem-se dezenas – quiçá centenas – de pessoas em uma igreja, todas com trajes e feições sóbrias e alegres. (A prima safada ainda está contida, geralmente com alguma peça de nome esquisito para cobrir o decote, talvez pensando em omitir as intenções lascivas d´Aquele que tudo vê). O respeito impera. Fazemos silêncio, falamos baixinho, fazemos o sinal da cruz, a genuflexão. Epa, essa aí não! Com desconto para os espécimes mais antigos, quase nunca vejo neguinho ajoelhando em direção ao altar, como manda o regulamento.

Aliás, falando em regulamento, não lembro de ter lido entre os dez mandamentos algum exigindo que bancos de igrejas devessem ser necessariamente desconfortáveis.

É neste ambiente sacro, sereno e introspectivo, que nos deparamos com o casal radiante, prometendo felicidade eterna um ao outro, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. No carro importado e no Uno Mille. No silicone e na celulite. No jantar romântico com flores e no casados x solteiros com toalha molhada na cama. E, ao mesmo tempo, vemos também os convivas. Muitos deles exemplos de que toda essa harmonia, por mais que desejada, seja pelos noivos ou pelos amigos e parentes, pode não rolar. E imagino o que pensam, enquanto ouvem tudo isso olhando os casantes:

Carmem, 58, no 3º casamento,
Será que esse aí vai dar no couro? Vixe, nem lembro quando foi a última vez.

Alcides, viúvo, 61.
Como será que ela é pelada?

Julinho, 14, solteiro.
Que demora meu Deus. Vamos logo pra festa.

Lucinha, divorciada, 43
Sempre achei que ele tem cara de cafajeste.

Betão, casado, 39
É…acabou a mamata. Agora que casou, motelzinho depois do expediente nunca mais.

Almeida, 75, casado.
Se ela ficar igual à mãe, hahaha, esse aí vai se dar mal.

Túlio, 32, casado.
E eu achava que a gente ainda ia ficar junto de novo…

Sandra, 24, solteira.
É, casou. Será que ainda vai rolar motelzinho depois do expediente?

Lorena, 69, casada.
Que demora, meu Deus. Vamos logo pra festa.

Marina, 29, solteira.
Se tiver aquela parte do “alguém contra esta união”, levanto a mão.

Marcelo, 40, solteiro.
É rico né? Só pode. Feio pra caralho. Ou tem pau grande.

Deividi, 28, solteiro.
Ah se soubessem que esse aí ó, tudo fachada. Enrustido que dói.

Glauber, 33, solteiro.
Que demora meu Deus. Vamos logo pra festa.


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