Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

layterracopy1
por Fabio Lattes

366 dias de ter completado 17 anos lá estava Cadú, abrindo os olhos para os raios de sol da manhã e do seu primeiro dia como um cidadão maior de idade. Era um grande dia e o começo de uma nova era na sua vida. A era motorizada!

Mal colocou os pés para fora da cama e o interfone no criado-mudo já tocou. Do outro lado, a voz de outro criado:

- “Senhor Carlos Eduardo, o senhor está disposto para o almoço? Ele já está na mesa.”

- Obrigado Samuel, já vou descer.

Vestiu as sandálias, espreguiçou aproveitando o braço esticado para alcançar o seu róbe, pendurado no mancebo a sua direita. Deu uma respirada longa e funda, deixando entrar por suas narinas o cheiro apetitoso do carbonara que esfumaçava repousando na sua cama de porcelana no andar de embaixo.

Mas não foi bem fome o que este apetitoso cheiro trouxe. Mas sim, uma feliz ansiedade. O almoço posto a mesa o lembrou de outra maravilha italiana que também fica estacionada na sua casa: a coleção de carros esportivos do seu pai. Ferraris, Maseratis, Alfa Romeos, todos encerados e com suas centenas de cavalos prontos para relincharem debaixo dos seus capôs de curvas elegantes.

A alegria que não cabia no seu peito saiu pela sua boca, atravessou a cidade zunindo entre cabos e postes e chegou aos ouvidos de Letícia – “Lelê” para os íntimos que compartilham a mesma letra na categora de “ryco, com Y” e “Letícia Siqueira-Bittencourt” aos demais mortais que costumam olhar etiquetas de preço.

“- Ai Cadú, que legaaal!”

Desligou o telefone e forrou sua cama de uma colcha nova, feita inteira de roupas recém-tiradas do armário e ainda com seus cabides. Não sabia o que vestir para este grande dia. Que ansiedade, que emoção! Externou sua alegria com palmas e pulinhos, seguidos de gritinhos emoldurados por sorrisos. Combinou tons de rosa-claro, salmão e rosa-choque e deu dois passes a frente para receber a borrifada de perfume lançada ao ar. Duas horas depois de se arrumar depressa, seguiu para o lugar combinado.

Eram 10 e meia da manhã de um sábado com sol de escorrer maquiagem e lá estava Lelê, linda, loira e impaciente. 5 minutos e nada do Cadú. Ela ali, sozinha na calçada com o peso do seu corpo apoiado no calcanhar esquerdo. Sentia-se como aquelas pessoas que via da janela escurecida do carro do seu pai. Paradas, esperando a vida passar e o cheque cair. Tudo aquilo era muito estranho, e raro. Mesmo quando em céu aberto, o céu que via tinha no horizonte os muros de um clube, ou o azul que passava pelo domo de vidro de um shopping center.

Pois hoje não. Hoje ela ia conhecer o mundo real, o mundo verdadeiro onde pessoas vão para onde bem entendem. Ir para onde quiser, quando quiser. E tudo isso com o seu amor. Melhor que isso é só seguindo para a Raposo Tavares ao final da noite.

O gostoso devaneio foi logo cortado pela imagem que via no horizonte, trêmula pelo calor que evaporava do asfalto de fritar ovo. Cadú e sua Mercedez, mas que união feliz! Lá vinha ela, cor de vinho. Vinho como o conteúdo das garrafas que iriam dividir, brindando de braços entrelaçados como dois cisnes num lago que desenham um coração com seus pescoços.

Não se contave e balançou seus braços, sacudindo como chocalhos seus braceletes prateados. Brilhando, a Mercedez encostou na calçada e abriu sua porta. O motorista de uniforme azul-claro não deixou de esconder seu espanto com a passageira que subia as escadinhas do seu ônibus. Depois de tentar passar seu cartão e inserir a senha, pagou o deboxante cobrador e cruzou a catraca, radiante.

Cadú sorria e esperava por sua companheira, com um lugar reservado no banco do carona feito de plástico duro e pichado com liquid paper. Deram as mãos e entrelaçaram os dedos, descobrindo juntos – entre muitas coisas – sua primeira viagem de busão.

_____________________________________________________________________________________________

Este post foi criado, elaborado e publicado no ritmo do Planeta Terra 2009. Para saber mais é só entrar no balanço e acessar o site oficial do festival clicando aqui. Para mais confusão, crie o seu ônibus e concorra a um camarote Horrorshow só para você e seus amigos durante a noite de shows. Não perca tempo, clique aqui e crie o seu bumba agora.

Muito Horrorshow no Planeta Terra 2009 – Um festival, várias experiências.


Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

planetajoni012
por João Guilherme Pires

Outro dia estava eu naquele estágio meio nirvanístico entre o sono e a vigília, quando de repente, me ocorreu:

“Caceta, como deve ser o rap na Noruega?”

Danou-se. Despertei de vez e, depois, não consegui me acalmar. Me revolvia na cama ao mesmo tempo em que revolviam-se meus neurônicos na busca da solução deste enigma.

Não tô falando daquele estilão que se enche de jóia e mulheres rebolativas. Isso deve existir e o assunto o mesmo: o carro, a grana, e a auto-afirmação do fodismo do rapper em relação ao próximo.

Me refiro ao clássico, roots e legítimo rap que, em poucas palavras, vive reclamando das mazelas da vida. Com razão, claro. E é exatamente essa a questão.

Do que reclamam os rappers noruegueses? Noruega: um lugar limpo, bonito, com educação e saúde pra todos, emprego, tecnologia, pessoas de boa aparência, assistência social, baladas, IDH alto, violência zero.

Pensei, pensei, pensei e, como não cheguei em lugar nenhum, tive de me levantar.

Lets Google it.

Qual não foi minha surpresa quando, com um tradutorzinho aqui e um dicionariozinho ali, encontrei a resposta. E, num ato de extrema generosidade, divido com vocês, apreciados Muitohorrorshowers.

Mais um dia no inferno.

Levanta a cabeça, truta, na atividade.
Sô vida loka, lorão, essa é a realidade.
Vo te falá, irmão, tô na dificuldade.
Bati meu dedinho na cama, de noite, sem claridade.

O bagulho doeu pá porra, cê tinha que vê.
Ficou até roxinho, brow, pode crê.
Foi a maior correria, por um band-aid aquela hora.
Aproveitei pra dar uma mijada e olhar lá pra fora.

Nas ruas da cidade o caos imperava:
Vi um nóia jogando papel de bala na calçada.
A indignação toma conta da minha alma.
Mas verme é verme, esquece, vô pra sala.

Tamo junto, irmão, vamo até o final.
Ligo a TV pra ver o engravatado do jornal.
O cara tá lá, maquiado, dando a letra.
Mais um político safado envolvido na treta.

Agora são dois que deram trampo pro irmão.
Quando vão parar com essa corrupção?
A matéria seguiu, vira a página meu chegado
Apareceu um hospital, puta fila, tá ligado?

Uma criança resfriada, esperando o doutor,
Dois minutos de espera, o que é isso Senhor?
Puro descaso, o maior pesadelo.
Deram o remédio, mas com água sem gelo.

Não é fácil viver aqui, é preciso acreditar.
Vejo um idoso na rua a chorar.
Cidadão honrado, fui lá verificar.
Era um cisco no olho de um sudoeste que bateu sem avisar.

Função é função, o dever é o martírio.
Fui na farmácia mais próxima, descolar um colírio.
Entreguei pro fita, que me agaradeceu
Segue em paz, parceiro, o que é meu é teu.

O vento que venta lá venta cá, é bom não esquecer.
Uma sociedade mais justa, só assim pode nascer.
Vou ficando por aqui, rimando sigo em frente.
Porque a parada é louca, sangue bom, e o bagulho é quente.
_____________________________________________________________________________________________

Este post foi criado, elaborado e publicado no ritmo do Planeta Terra 2009. Para saber mais é só entrar no balanço e acessar o site oficial do festival clicando aqui. Para mais confusão, crie o seu ônibus e concorra a um camarote Horrorshow só para você e seus amigos durante a noite de shows. Não perca tempo, clique aqui e crie o seu bumba agora.

Muito Horrorshow no Planeta Terra 2009 – Um festival, várias experiências.


planetajao01
por João Vicente

Este blog que você lê no momento está participando de uma campanha de divulgação do festival de música Planeta Terra e, em sintonia com o propósito musical da iniciativa, veio-me à lembrança o filme de Stephen Frears, Alta Fidelidade. Para quem desconhece, o filme fala de Rob, um dono de uma loja de discos, que tem como passatempo criar top 5’s, ou seja, listas dos cinco melhores: discos para uma segunda-feira de manhã, empregos dos sonhos, músicas para um funeral, e por aí vai. Quando Rob vê seu namoro chegar ao fim, passa a rememorar os cinco piores términos da sua vida e, por meio de reencontros com suas ex-namoradas, tenta entender porque seu destino é ser abandonado. Esta síntese simplória não descreve um centésimo do brilhantismo do filme, que foi baseado no livro de mesmo nome de Nick Hornby. Se você ainda não viu, recomendo ambos com urgência, e isto não é uma brincadeira.

Fato é que eu estava ouvindo (e gostando) de uma música inesperada e, com o passatempo de Rob em mente, passei a imaginar cinco pessoas que, em minha opinião, fazem música de qualidade, porém, surpreendentemente. Em outras palavras, pessoas que você jamais imaginaria que fizessem boas canções, uma vez que aparecem demais na mídia e, convenhamos, é razoável admitir que a vasta maioria dos produtos musicais que brotam nas emissoras de rádio e televisão tem qualidade violentamente questionável. No entanto, esta regra não possui rigidez, felizmente. Assim, munido do mínimo de preconceito que pude reunir, tentei listar os cinco “inesperados” melhores músicos atuais, a meu ver.

Jason Mraz. Ao perceber como o mega hit I’m Yours havia invadido qualquer autofalante presente em qualquer centímetro deste planeta, acredito ser inevitável, para muita gente, criar um rancor furioso contra esta canção. No entanto, algo é inegável. O rapaz canta pra caralho. Além disso, toca melodias simples, mas tem precisão no manuseio do violão e desempenha o papel com habilidade. Sugiro ouvir outras músicas além do mega hit citado, pois este já foi ouvido o suficiente para todo o tempo em que a humanidade durar.

John Mayer. Devo confessar que, diferente de Jason Mraz, a quem nutro algo mais próximo da curiosidade, tenho grande admiração pelo trabalho de John Mayer. Tecnicamente, é um exímio guitarrista e violonista, como fica claro nesta apresentação ao vivo da canção Neon. O músico tem feito parcerias com medalhões como Eric Clapton, B.B. King, Buddy Guy e Herbie Hancock, o que legitima sua competência. Por fim, mesmo suas canções mais pop têm arranjos criativos e executados com maestria.

Jack Johnson. Acredito que o músico havaiano também tenha sido injustiçado pela sua extrema exposição na mídia. Cria-se um preconceito ao mainstream que não permite revelar seus grandes méritos. Suas canções intimistas revelam letras despretensiosas, mas, também, muitas vezes incisivas, tais como Rodeo Clowns. Embora as músicas de alto teor lírico de Jack Johnson também agradem, o universo de suas letras vai muito além, e acho que esta viagem vale a pena.

Robbie Williams. Este item da lista veio um pouco forçado, mas acho que vale a menção. Falando em letras, o ex-Take That têm versos que beiram a superficialidade, mas não se pode negar também um apreço ao insólito. Chama a atenção sua auto-ironia, por exemplo, com sua condição de celebridade. E suas canções são peças pop irrefreáveis, melodias redondas que grudam instantaneamente. No entanto, acredito que este último aspecto seja mérito dos produtores musicais responsáveis, o que poderia substituir o nome de Robbie Williams, nesta lista, por vários outros.

CQC. Não consegui chegar em cinco músicos inesperados e, para não forçar mais ainda a barra, resolvi, por bem, colocar este programa de televisão. A programação da TV (em especial, a aberta) desafia os limites da dignidade humana, com entretenimento vazio e informação duvidosa. O CQC, como qualquer outro programa midiático, possui escolhas ideológicas no posicionamento de suas matérias. Como bem me abriu os olhos o caro Pedro Chameé, há algo de moralista e por demais alinhado ao senso comum – da mídia nacional – no CQC, mas há também espaço para uma boa diversão em sua crítica e, principalmente, em sua sátira. Não sei o que me causa mais espanto: a rara existência de um programa com algum conteúdo e que traga entretenimento, ou algo que possa entreter, embora tenha, por vezes, um discurso ideologicamente questionável.

No fim das contas, há em todos os itens desta lista alguma simplicidade do que é fadado a ser popular, a ser pop. Em minha opinião, isto não causa diminuição na obra, pois ser simples não é, nem de longe, algo pejorativo, mas uma característica intrínseca, um estilo. Os Ramones que o digam.
_____________________________________________________________________________________________

Este post foi criado, elaborado e publicado no ritmo do Planeta Terra 2009. Para saber mais é só entrar no balanço e acessar o site oficial do festival clicando aqui. Para mais confusão, crie o seu ônibus e concorra a um camarote Horrorshow só para você e seus amigos durante a noite de shows. Não perca tempo, clique aqui e crie o seu bumba agora.

Muito Horrorshow no Planeta Terra 2009 – Um festival, várias experiências.


motel20
por Bruno Brandão

Ao sair do carro que acabara de ser estacionado na longa fila de espera e se equilibrando no seu samba por conta da louca vontade de ir ao banheiro, Caco deu de cara com Dona Ruth, mãe do seu pai e para o seu espanto, sua legitima e inconfundível avó.

Da mesma forma desesperada que saiu do seu Palio Branco, Caco voltou para o banco do motorista com a mesma cor que o seu possante costuma apresentar nas poucas vezes que é lavado. Jaqueline, a mulher que se fazia presente no banco do passageiro, se assustou:

- O que foi Caco?
- A Dona Ruth está aí.
- Que Ruth Caco?
- Minha avó, Dona Ruth.
- Deus Meu!
- Ponha Deus nisso. E um pouco de Diabo também.
- E o que ela está fazendo aqui?
- No Motel?
- É Caco, o que a Dona Ruth está fazendo no Motel?
- Essa resposta é óbvia Jaqueline: o mesmo que a gente.
- E ela costuma freqüentar esse tipo de lugar?
- Como vou saber Jaqueline? Como vou saber se alguém está comendo a mãe do meu pai?

Sem ter muito que dizer e pensar, a moça somente se acanhou e respondeu:

- É mesmo.

O casal, em franco desespero, decidiu sair em disparada e foram felizes na fuga: a avó não reparou que Caco estava no Motel com Jaqueline, sua prima de 1º grau e caçula da Tereza, filha da Dona Ruth e irmã de Tomás, pai de Caco.

E, da mesma forma, o jovem casal semi-incestuoso não teve tempo de ver que a Avó de ambos estava acompanhada da Dona Eduarda, amiga de longa data e companheira diária de crochê da respeitosa viúva, Dona Ruth.


Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

milenio1
por João Guilherme Pires

Propaganda é um mercadinho complicado. É uma competição danada, com muita gente talentosa, senão já dentro, querendo entrar. Além disso, anda muito instável. Conta entra, conta sai. O foco dos investimentos tem mudado, Internet ganha cada vez mais peso, agências especializadas nisso também. Hoje vemos uma porrada de jargões e subdivisões do simples ato de comunicar a existência de uma marca ao público, envolvendo entretenimento, interatividade, realidades alternativas, novas tecnologias e um caralho a quatro.

Por isso, em meio à toda essa confusão, me pareceu sensato ter um plano B. Vai saber se, um dia, neguinho num cria uma máquina de fazer anúncios, spots e filmes publicitários? Achei melhor me precaver.

Primeiro pensei em possibilidades mais convencionais: uma pousada na praia, uma pequena agência no interior, voltar a tocar bateria e montar uma banda.

Mas considerando o fato de que quero desfrutar do bon vivant way of life, decidi que seria mais plausível abrir uma nova igreja.

Certo, a idéia não é nova. Mas, usando meu conhecimento em publicidade, acho que vinga. Basta focar no nicho certo de mercado e, claro, diferenciar o produto dos concorrentes.

Então criei a Igreja Cosmológica do Paraíso na Terra. Uma religião que também se baseia na bíblia. E também a interpreta como quiser, como de praxe. O segredo é escolher as partes certas, de modo a criar um sistema filosófico consistente e crível.

Minha igreja se baseia em alguns dogmas simples. Cito alguns:

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.
E Deus, se perfeito, não deve ser gordo, sedentário e pouco atraente. Tampouco deve se envergonhar das diferentes partes de seu corpo. Por isso os templos da Igreja Cosmológica do Paraíso na Terra serão bem diferentes. No lugar de bancos, teremos esteiras, spinnings, halteres e, o mais importante, aquele aparelho para os glúteos. Assim, todos os (e, principalmente as) fiéis poderão estar sempre em forma, com o corpinho sarado, músculos torneados e bumbum durinho.

Além disso, nada saias longas e braços escondidos. O corpo, como se sabe, é sagrado e, tal como o pão e o vinho, deverá ser dividido com o próximo. Por isso teremos como roupa oficial do culto shortinhos de academia, tops, camiseta regata e, aos domingos, sunga e bikini. Top Less apenas em feriados religiosos para conservar o chamado Milagre da Surpresa da Primeira Visão.

Dividir, multiplicar e os pecados capitais.
Todo mundo lembra o que Jesuzão fez com o peixe e o vinho naquela baladinha, certo? Pois então, na minha Igreja, este conceito será aplicado também às relações matrimoniais. Isso mesmo: é uma micareta divina. Os fiéis até escolhem uma para procriar, mas uma vez seguidores da Cosmológica do Paraíso na Terra, homens são maridos de todas mulheres que são esposas de todos os homens. Uma medida de ordem prática e muito mais coerente com a natureza humana - e como a natureza humana foi criada por Ele, o mais correto é respeitá-la -, que acaba com o ciúmes, o adultério, a inveja, a cobiça e outros pecados, capitais ou não. E caso alguém tenha dúvida, mandarei ler os livros mais antigos, sublinhando passagens em que a poligamia aparece comumente aceita.

Os 10 mandamentos
De modo a orientar meus fiéis ao exercício correto dos preceitos da Cosmológica do Paraíso na Terra, resolvi manter os 10 mandamentos, dando apenas uma atualizada, conforme você pode ver abaixo:

1- Não terás outros deuses além de Deus e Angelina Jolie.

2- Não terás outros ídolos além de Deus, Leslie Nielsen, Will Ferrell e os caras do Monty Python.

3- Não pronunciarás o nome de Deus em vão, exceto na presença do time de völei feminino da Itália.

4- Reservarás um dia para ser santo. Nele, deverás abrir mão da companhia do sexo oposto e dirigir-se ao boteco mais próximo para celebrar, junto aos colegas de berçário, colégio, faculdade ou trabalho, toda a alegria de viver.

5- Honrarás teu pai e tua mãe. É o jeito mais fácil de conseguir um carro aos 18.

6- Não matarás. Políticos corruptos inclusive. Para esses, prefira a tortura.

7- Não existirá adultério. Por isso, segue um novo mandamento: para cada dois episódios de uma novela da Globo, deverás assistir um filme europeu.

8- Não furtarás. Casos de calcinha serão julgados pelas autoridades competentes.

9- Não darás falso testemunho, exceto no Orkut.

10 – Uma vez que não existe a mulher do próximo, um novo mandamento: para cada página de um livro do Dan Brown, deverás ler oito de Dostoievski.


O Dízimo

Sou realista. É impossível alcançar tais resultados sem um investimento sólido no qual me basear. Por isso, na Igreja Cosmológica do Paraíso na Terra também teremos o dízimo.

Diferentemente do que ocorre na concorrência, ele não virá totalmente para os meus bolsos. Não. Ele também será revertido em ações diversas para nossa comunidade. Tais como: implantes de silicone, botox, alisamento de cabelo, financiamento do fitness center dos templos, aulas de strip-tease, sessões de degustação de vinhos, queijos e cervejas, entre outras atividades.

Das encarnações do Demônio
Como parte do show, teremos também alguns casos de possessão. Serão considerados possuídos pelo coisa ruim:

- Vizinhos que reclamam do barulho
- Abstêmios
- Hebe Camargo
- Flanelinhas em geral.
- Cambistas em geral.
- Profissionais de Atendimento.
- Zeca Camargo
- Profissionais de Telemarketing
- Amaury Jr.
- Banda Calypso.

O ritual de exorcismo se dará da seguinte forma: o possuído sobe ao altar e explanará seu drama para a platéia reunida. Eu, ou um dos demais pastores, então o faremos fechar os olhos, refletir sobre seus pecados, sobre sua condição demoníaca e, então, aplicaremos o suplício que os purificará: dias dançando os clássicos do É o Tchan em uma gaiola em praça pública.

Cláusulas adjacentes
Mais alguns detalhes que enriquecerão o dia-a-dia do culto e a consistência da minha igreja:

- As hóstias serão substituídas por coxinhas do Frangó.
- O vinho poderá ser substituído por um pint de Guinness, mediante a escolha do fiel.
- No lugar dos bancos de madeira, pufes, divãs e poltronas muito mais confortáveis.
- Nas missas de domingo, canções religiosas serão substituídas por músicas do Kiss.
- Os tradicionais santinhos trarão, no verso, um cupom de desconto nos principais motéis da cidade.
- As procissões serão sempre temáticas: de pijama, anos 70, anos 80, homens vestidos de mulher, mulheres vestidas de homem. Teremos um caminhão pipa distribuindo chope. E um trio elétrico.
- Um dia por semana, os fiéis deverão vestir-se de pirata, beber rum e gritar como pirata pela janela do quarto, virados na direção do Bar do Espanhol, na Vila Mariana. Sei lá, encanei com isso.

Expostas as condições acima espero, a partir de já, conquistar adeptos à minha doutrina. Ficaria muito feliz se isso ocorresse. E tenho certeza de que você, fiel em potencial, também. Afinal, será um culto como os outros: não vai saldar dívidas, não vai curar doenças, não vai te dar um emprego. Mas pelo menos na minha igreja você vai se divertir bastante.


Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Powered by Wordpress
Theme © 2005 - 2009 FrederikM.de
BlueMod is a modification of the blueblog_DE Theme by Oliver Wunder
BlogBlogs.Com.Br