Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

iceberg4
por João Guilherme Pires

O tsunami de pensamentos e sensações vespertinas de Cláudia a estava deixando atônita. Cenas desconexas se passavam em sua cabeça, como num filme editado às cegas. No entanto, suas sinapses foram interrompidas bruscamente pela mão de Fábio em seu ombro.

- Ai!
- Calma!
- Que susto. Nossa, tava viajando aqui…
- Percebi.
- Vai ter happy hour hoje, aniversário do Carlão, tá sabendo?
- Ah é?
- Mercearia, vamos?

Well, lá estava o fenômeno natural voltando ao agradável corpo de nossa personagem.

E eu, assim como você, imagino, estava torcendo pra ela aceitar o convite, talvez pelo simples prazer de assistir o recriminável acontecer. É da natureza humana apreciar o improvável. Contudo, não foi o que aconteceu. Sejamos fiéis aos fatos.

- Não vai dar, tenho que sair com meu namorado.
- Sério? Chama ele.

E se estamos compromissados com a verdade, é necessário dizer: Cláudia não gostou de ouvir aquilo. Como assim, chamar Marcelo? A presença dele impossibilitaria qualquer aproximação. Principalmente a labial. Isso sem falar na manual. A genital estaria fora de cogitação. Ele não quer, é isso?

- Hoje não dá mesmo, está marcado, é aniversário de namoro…
- Vão comemorar? Tá certo.
- Pois é.
- Fica pra próxima então.
- Com certeza.

O happy, como ficou sabendo na segunda, foi ótimo. Fábio inclusive foi visto, por volta das 2h, saindo de carro com uma de suas estagiárias. E a noite dela, bem, não ficou por muito menos. Há tempos o sexo não era tão bom. Tão dedicado. Tão transpirado. Marcelo, na real, não entendeu muito bem a inspiração da namorada, mas aprovou. Hormônio de mulher é fogo, disse aos amigos.

Aquele convite não saiu da cabeça de Cláudia. Ficava imaginando o que teria acontecido se tivesse aceitado. Provavelmente nada, pensava. Mas a possibilidade, a simples possibilidade, a excitava. Gostava de ser apreciada, de se sentir gostosa, desejada. Como toda mulher. É sempre uma massagem no ego. Mas neste caso, o ego dela não havia sido tocado, sequer passado por terapias manuais. Fora um convite absolutamente normal, direto, como qualquer colega poderia ter feito. Sem segundas intenções, sem malícia. E ela odiou constatar isso.


500c
por Fabio Lattes

O autor adverte: é bom você ter visto o filme antes. ; )

Quando mais de 3 pessoas te sugerem ver um filme “por que ele é a sua cara” ou “certeza que você vai curtir, cara” é por que tem coisa. E o 500 Dias Com Ela tem. Foi 1 uma hora e meia com Fábio Lattes que me valeram sentar para escrever estas singelas palavras de semelhança. Isso mesmo, semelhança. Isto não é uma resenha, uma crítica de cinema. Me falta muito feijão e Fellini para ser uma Renatinha ou um Chammezito para analisar um filme com catiguria. São simples paralelos que notei e tracei em verdana 11.

Começando pelo óbvio: o personagem principal é um redator. Ok, redator de cartões de presente, desses que por aqui os do Garfield imperam. Mas redator. E segundo, a mais óbvia semelhança: o filme fala de relacionamentos. Tema que quase não gosto e que quase que esta tonta ironia correu o risco de ser apagada.

A primeira coisa que me faz pensar é o quanto os problemas dos jovens de seus 20 em diante são comuns, seja lá onde do mundo ele mora. Da rotina do trabalho, o conclave conselheiro dos amigos, aos dias azuis e cinzas de um relacionamento, é tudo muito parecido. A facilidade que nos identificamos com o desenrolar do romance entre os dois é o ponto chave do quanto ele nos envolve.

O fato é que se sentir como o personagem é a premissa de toda boa história. Mas quando ele tira os empoeirados rolos de filmes dos seus términos e começos e projeta filmes no cine-nostalgia do seu cérebro, o poder de identificação triplica.

E é assim com esse filme. Você se vê nele, e não precisa ser um redator com experiências passadas nas costas. Principalmente na vulnerabilidade do personagem principal, tão entregue aos caprichos de uma pequena com vestidinhos meigos. Naquela tonta vulnerabilidade que o amor provoca. Você se vê como aquele mané, capacho, bobo e com o seu sobrenome em julho de 2007.

O filme trabalha com sensações que todos nos passamos e degustamos, sejam doces ou amargas.

Quando você vê que o relacionamento está indo para o saco e não há nada o que fazer, há não ser pedir panquecas e esperar pela cobertura de lágrimas.

Quando você substitui o som pelo tato que também saem dos lábios, beijando cada centímetro de um corpo que você deseja por dentro e por fora. Nos seus 500 dias, depois dessa noite nosso herói dança pelas ruas num musical. Se rodado no Brasil, ele faria um gol aos 45, no estádio lotado, explodindo rojões e disparando pontilhados de flashes para uma torcida ensandecida.

O sentimento é o mesmo, só muda o cenário.

Os 500 dias encerram com a mensagem certa, longe do final que encaminha o casal para um anúncio de margarina. Uma esperança pé no chão, que mostra que o amor verdadeiro é tudo nessa vida, menos simples.

Estamos longe de um final feliz, mas sempre perto de ótimos começos.



Powered by Wordpress
Theme © 2005 - 2009 FrederikM.de
BlueMod is a modification of the blueblog_DE Theme by Oliver Wunder
BlogBlogs.Com.Br