Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

sublimejao
por João Vicente

Conheci o Sublime, popular banda estadunidense, em um CD que acompanhava a então existente revista da Rádio 89, quando esta ainda usava o slogan de “a rádio rock”. Diga-se de passagem, a frase era honesta, inclusive nesta série de CDs que acompanhavam a revista, que chegou a nos presentear com faixas de Dead Kennedys e Bad Religion. O momento era por volta de 1997, alguns anos atrás da consolidação do download P2P, que trouxe, abençoadamente, o Kazaa e tantos outros softwares repletos de música e, como conseqüência, alegria infinita. Em uma cidade sem o alcance de boas rádios ou TV a cabo, as fontes de novas músicas residiam nas indicações de amigos e lojas de CD, onde se comprava um álbum por conta de duas faixas decentes. Ou seja, revistas acompanhadas por CDs com boas e variadas músicas eram água fresca para quem estava sedento.

“Santeria” era uma canção presente no inconsciente coletivo, porém, confesso, não me chamou a atenção à primeira vista. Entretanto, lembro-me de maneira vívida das primeiras vezes em que ouvi “What I Got”, faixa presente no CD da revista mencionada. A música simplesmente possuía atmosfera, vida própria. Havia ali, de fato, alma. Alguma coisa que transportava este ouvinte para um espaço-tempo etéreo, como já escrevi, alguns textos atrás, a respeito de Nina Simone, entre outros. Fato é que, após ouvir e me encantar com a música algumas vezes, procurei na internet a letra cantada por Bradley Nowell, como costumo fazer sempre que ouço uma boa música – afinal, pessoalmente, enxergo dois prazeres ao conhecer uma canção: a melodia e a leitura saborosa da letra. Diante das frases declamadas pelo vocalista, apenas não consegui entender o que estava sendo dito, em razão de meu inglês ainda arranhado (obviamente, isto não impediu que eu tentasse acompanhar as vozes reproduzidas pelo CD). Mas o que mais me chamou a atenção, a ponto de me recordar até hoje, foi o layout do site em que encontrei as letras do Sublime, com verde musgo predominante e diversas menções à bandeira jamaicana. Na época, sem conhecimento qualquer sobre reggae e a ligação deste estilo musical com a banda que cantava “What I Got”, o site ficou apenas como um dado curioso. Sobre o Sublime, acabou ficando para trás, provavelmente em detrimento de outras bandas que me interessavam mais no momento.

Alguns anos à frente, em uma festa de aniversário, ouvi uma música que novamente me chamou a atenção. Desta vez, era “Doin’ Time”, que havia sido colocada naquele instante, no aparelho de som, por um amigo. Fui perguntar o que era aquilo e a resposta relacionou, em minha memória, aquela faixa à outra que tanto preencheu meus ouvidos em um passado recente. Assim, já munido do finado Kazaa, baixei umas poucas três canções do Sublime e, talvez por falta de paciência com a internet discada de então, ou por falta de curiosidade, permaneci assim até pouco tempo atrás. E, então, ao descer a serra de encontro ao mar, no carro do caro Fernando “Bixo” Cury, ouvi “Garden Grove”, faixa de abertura do terceiro álbum da banda e, desde então, passados alguns bons três anos, não consigo parar mais. Todas as vezes em que ouço esta música, sinto um misto de maresia, bons fluidos e diversão. Agradeço ao Bixo.

Aliás, este álbum, que leva o nome da banda, em minha modesta e sempre impulsiva opinião, é uma obra-prima de marca maior, com momentos de genialidade como a voz terna e forte que entoa o nome da banda em “Jailhouse”. Momentos que entristecem os órfãos de Bradley Nowell, tal como os fãs do Nirvana se sentem diante da perda de Kurt Cobain. No entanto, da mesma maneira que o Foo Fighters mostra que a vida, felizmente, se renova, chegou a mim a notícia de que, no início deste ano, após treze anos em silêncio, os integrantes remanescentes do Sublime reuniram-se com um novo vocalista e guitarrista, Rome. É claro que qualquer comparação é descabida, seres humanos não são comparáveis como latas de leite condensado de marcas diferentes. De qualquer forma, Rome mostra um ótimo desempenho no palco, com voz firme e guitarra presente. Confira os vídeos no YouTube e forme sua própria opinião. De minha parte, minhas melhores intenções e a espera pelas novas canções que deverão vir por aí.


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guitar2
por Bruno Brandão

Tato é a prova que o Guitar Hero pode formar novos roqueiros. Desde o natal que ele “se deu” de presente o jogo, Tato nunca mais quis saber de outro estilo de música.

Tudo que ele consumia era relacionado aos mais rebeldes e famosos roqueiros. E olha que o Tato era micareteiro de primeira linha. Ele passou a comprar de tudo: dvd’s, biografias, tatuagens, cd’s, roupas e mulheres.

Isso mesmo. Mulheres. Desde que se afundou no mundo do Rock, Tato virou o maior namorado de puta de São Paulo. Depois de uma noite recheada de Guitar Hero, Tato se deliciava com suas moças.

E a cada noite, era uma fantasia diferente:

- Agora me chama de Rockstar.

- O quê?

- Me chama de Rockstar.

- Me ajuda agora a prender os móveis no teto.

- Eu preciso tirar a roupa?

- Depois de me ajudar sim.

- Fala que você deu pro meu segurança antes de chegar aqui!

- Que segurança?

- O meu segurança, fala que você também deu pro meu segurança!

E Tato começou a viver assim. Deixou o cabelo crescer, começou a beber diariamente, a usar drogas e o seu vício pelo Guitar Hero só aumentava.

Só usava roupa de couro, sabia de cor todas as marcas de laquê e praticava atrocidades nas pousadas que ele se hospedava em suas férias. Não era raro virmos cadeiras de praia sendo atiradas pela janela.

Tudo isso fruto do Guitar Hero.

Agora se você me perguntar se o Tato um dia se interessou em tocar guitarra de verdade, eu digo que não. Tato já tinha a sua vida de roqueiro.

E como ele sempre dizia:

- Tocar guitarra de verdade? Não, não, isso é trabalhoso demais.


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