Confesso que sou uma pessoa metafísica. Fazer o quê? Sou mesmo. Devia ter meus 12 ou 13 anos quando, um dia, ah, e que aflitivo dia, concebi o seguinte raciocínio:
Eu, quando durmo, não sinto nada.
E se, quando eu morrer, for exatamente assim. Só que sem acordar.
UOU!
Foi meu primeiro contato com o meu não-ser. Nessa noite não dormi. E, desde então, remôo esses questionamentos divino-existenciais.
Imagina só, Deusão por aqui, num boteco da Augusta, tomando uma cerva e sendo conhecido por um apelido clássico, tipo, Cebola ou Montanha?
- Aí Mountain, o serviço daqui é show de bola. Quando venho aqui meu copo nunca fica vazio.
- É…o serviço, claro…
- Umas patinhas de caranguejo seriam perfeitas agora, fala aí Cebs? Ih, malandro, olha lá, tem um maluco vendendo patinha de caranguejo? Surreal véi, nunca vi isso por aqui!
É, porque se ele esta entre nós significa que ele pode ser qualquer um de nós. Inclusive aquele puta babaca que você não gosta, o que provavelmente vai te deixar em maus bocados nos hipotéticos e vindouros dias da redenção final.
- Pô, então você é Deus?
- Pois é.
- Aquele lance com a tua mulher, sabe, foi impulso, coisa de momento…
- Já parou pra pensar que toda vez que você dizia “Meu Deus do Céu, que gostosa!” era comigo que você estava falando?
- Olha, mil desculp…
BUUUUM. Inferno.
Mas há possibilidades mais aprazíveis, claro. Vai que ele é seu pai? (E neste caso você seria irmão distante de Jesus! Olha que bacana!)
- Pai, quero uma bicicleta de Natal!
- Ok filhão.
- E um videogame, um computador, uma montanha-russa, um tobogã, um golfinho, uma bola, um carrinho de rolimã, um pogobol, um cata-vento, um dinossauro, um copo de plástico e um pinico assinado pelo Marcel Duchamp!
- Ok filhão.
Ou ainda ser sua namorada, ahn, ahn? Que tal?
- Amor, você acha meus peitos bonitos?
- Claro linda!
- Ou poderiam ser maiores?
- Ah…sei lá…um pouquinho talvez…
- Assim?
- …..
Contudo, algumas pessoas podemos seguramente eliminar da lista das prováveis Deus. Joelma do Calypso, Lacraia, Equipe de Redação do Zorra Total, Steven Seagal, Agnaldo Rayol, Amy Winehouse, Renata Sorrah, Netinho de Paula, Belo, Donald Sutherland, Telemarketings em geral, Theo Becker, Dado Dolabella e, pra entrar na moda, Sarney e Maluf. Deus não seria sádico assim.
Mas já que divagações assim são longas como o número PI – não sei onde fica no teclado -, me contenho e me resigno ao conceito do agnosticismo. Pra esse problema, acredito não existir solução concebível pelo entendimento humano.
Maaaaas, se algum dos meus leitores for Deus, favor não me leve a mal, ok? E, se der, como diria Woody Allen, deposita um qualquer-coisa na minha conta.
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