Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

deusjonis
por João Guilherme Pires

Confesso que sou uma pessoa metafísica. Fazer o quê? Sou mesmo. Devia ter meus 12 ou 13 anos quando, um dia, ah, e que aflitivo dia, concebi o seguinte raciocínio:

Eu, quando durmo, não sinto nada.
E se, quando eu morrer, for exatamente assim. Só que sem acordar.

UOU!

Foi meu primeiro contato com o meu não-ser. Nessa noite não dormi. E, desde então, remôo esses questionamentos divino-existenciais.

Imagina só, Deusão por aqui, num boteco da Augusta, tomando uma cerva e sendo conhecido por um apelido clássico, tipo, Cebola ou Montanha?

- Aí Mountain, o serviço daqui é show de bola. Quando venho aqui meu copo nunca fica vazio.
- É…o serviço, claro…

- Umas patinhas de caranguejo seriam perfeitas agora, fala aí Cebs? Ih, malandro, olha lá, tem um maluco vendendo patinha de caranguejo? Surreal véi, nunca vi isso por aqui!

É, porque se ele esta entre nós significa que ele pode ser qualquer um de nós. Inclusive aquele puta babaca que você não gosta, o que provavelmente vai te deixar em maus bocados nos hipotéticos e vindouros dias da redenção final.

- Pô, então você é Deus?
- Pois é.
- Aquele lance com a tua mulher, sabe, foi impulso, coisa de momento…
- Já parou pra pensar que toda vez que você dizia “Meu Deus do Céu, que gostosa!” era comigo que você estava falando?
- Olha, mil desculp…

BUUUUM. Inferno.

Mas há possibilidades mais aprazíveis, claro. Vai que ele é seu pai? (E neste caso você seria irmão distante de Jesus! Olha que bacana!)

- Pai, quero uma bicicleta de Natal!
- Ok filhão.
- E um videogame, um computador, uma montanha-russa, um tobogã, um golfinho, uma bola, um carrinho de rolimã, um pogobol, um cata-vento, um dinossauro, um copo de plástico e um pinico assinado pelo Marcel Duchamp!
- Ok filhão.

Ou ainda ser sua namorada, ahn, ahn? Que tal?

- Amor, você acha meus peitos bonitos?
- Claro linda!
- Ou poderiam ser maiores?
- Ah…sei lá…um pouquinho talvez…
- Assim?
- …..

Contudo, algumas pessoas podemos seguramente eliminar da lista das prováveis Deus. Joelma do Calypso, Lacraia, Equipe de Redação do Zorra Total, Steven Seagal, Agnaldo Rayol, Amy Winehouse, Renata Sorrah, Netinho de Paula, Belo, Donald Sutherland, Telemarketings em geral, Theo Becker, Dado Dolabella e, pra entrar na moda, Sarney e Maluf. Deus não seria sádico assim.

Mas já que divagações assim são longas como o número PI – não sei onde fica no teclado -, me contenho e me resigno ao conceito do agnosticismo. Pra esse problema, acredito não existir solução concebível pelo entendimento humano.

Maaaaas, se algum dos meus leitores for Deus, favor não me leve a mal, ok? E, se der, como diria Woody Allen, deposita um qualquer-coisa na minha conta.


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guitar2
por Bruno Brandão

Tato é a prova que o Guitar Hero pode formar novos roqueiros. Desde o natal que ele “se deu” de presente o jogo, Tato nunca mais quis saber de outro estilo de música.

Tudo que ele consumia era relacionado aos mais rebeldes e famosos roqueiros. E olha que o Tato era micareteiro de primeira linha. Ele passou a comprar de tudo: dvd’s, biografias, tatuagens, cd’s, roupas e mulheres.

Isso mesmo. Mulheres. Desde que se afundou no mundo do Rock, Tato virou o maior namorado de puta de São Paulo. Depois de uma noite recheada de Guitar Hero, Tato se deliciava com suas moças.

E a cada noite, era uma fantasia diferente:

- Agora me chama de Rockstar.

- O quê?

- Me chama de Rockstar.

- Me ajuda agora a prender os móveis no teto.

- Eu preciso tirar a roupa?

- Depois de me ajudar sim.

- Fala que você deu pro meu segurança antes de chegar aqui!

- Que segurança?

- O meu segurança, fala que você também deu pro meu segurança!

E Tato começou a viver assim. Deixou o cabelo crescer, começou a beber diariamente, a usar drogas e o seu vício pelo Guitar Hero só aumentava.

Só usava roupa de couro, sabia de cor todas as marcas de laquê e praticava atrocidades nas pousadas que ele se hospedava em suas férias. Não era raro virmos cadeiras de praia sendo atiradas pela janela.

Tudo isso fruto do Guitar Hero.

Agora se você me perguntar se o Tato um dia se interessou em tocar guitarra de verdade, eu digo que não. Tato já tinha a sua vida de roqueiro.

E como ele sempre dizia:

- Tocar guitarra de verdade? Não, não, isso é trabalhoso demais.


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