Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

guitar2
por Bruno Brandão

Tato é a prova que o Guitar Hero pode formar novos roqueiros. Desde o natal que ele “se deu” de presente o jogo, Tato nunca mais quis saber de outro estilo de música.

Tudo que ele consumia era relacionado aos mais rebeldes e famosos roqueiros. E olha que o Tato era micareteiro de primeira linha. Ele passou a comprar de tudo: dvd’s, biografias, tatuagens, cd’s, roupas e mulheres.

Isso mesmo. Mulheres. Desde que se afundou no mundo do Rock, Tato virou o maior namorado de puta de São Paulo. Depois de uma noite recheada de Guitar Hero, Tato se deliciava com suas moças.

E a cada noite, era uma fantasia diferente:

- Agora me chama de Rockstar.

- O quê?

- Me chama de Rockstar.

- Me ajuda agora a prender os móveis no teto.

- Eu preciso tirar a roupa?

- Depois de me ajudar sim.

- Fala que você deu pro meu segurança antes de chegar aqui!

- Que segurança?

- O meu segurança, fala que você também deu pro meu segurança!

E Tato começou a viver assim. Deixou o cabelo crescer, começou a beber diariamente, a usar drogas e o seu vício pelo Guitar Hero só aumentava.

Só usava roupa de couro, sabia de cor todas as marcas de laquê e praticava atrocidades nas pousadas que ele se hospedava em suas férias. Não era raro virmos cadeiras de praia sendo atiradas pela janela.

Tudo isso fruto do Guitar Hero.

Agora se você me perguntar se o Tato um dia se interessou em tocar guitarra de verdade, eu digo que não. Tato já tinha a sua vida de roqueiro.

E como ele sempre dizia:

- Tocar guitarra de verdade? Não, não, isso é trabalhoso demais.


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lucas
por B. Soraggi

Lucas Brito da Silva tem 24 anos, é radialista, cerimonialista, promoter, ator, cantor, colunista social, artista, bissexual… E com certeza quer chamar a sua atenção. Confira a entrevista exclusiva que ele concedeu ao nosso repórter.

Você provavelmente não o conhece, mas ele com certeza quer a sua atenção. Nem que para ganhá-la tenha que posar vestido com uma máscara médica para um ensaio “sensual” em alusão à gripe suína e postar as fotos em seu blog que funciona como uma espécie de coluna social de sua pequena cidade, o município de Luzilândia (PI), com aproximadamente 25 mil habitantes. Seu nome é Lucas Brito da Silva, tem 24 anos e é radialista, cerimonialista, promoter, ator, cantor, colunista social, artista, bissexual… Ou, como ele próprio se descreve, uma pessoa “multiuso”.

“Sou um Showman. Um misto de funções. Um clamor!”, esclarece. Isso talvez explique a alcunha com a qual fora (auto) batizado: Lucas Celebridade. “Todo artista tem sua marca registrada, e eu quero causar impacto. Para isso criei essa logomarca”, afirma. “Não vou perder as estribeiras para ganhar foco. Quero ganhar fama com o conteúdo que tenho, com a envergadura que ostento”, esclarece. Se dependesse apenas dele, toda essa capacidade já seria nacionalmente conhecida desde 2003, ano no qual tentou pela primeira vez participar do Big Brother Brasil. “A Sabrina seria uma competidora de peso, mas eu ofusco qualquer um. Ela é linda, sou fã dela, mas Lucas é Lucas!”, constata. Também aceitaria participar do atual reality show ‘A Fazenda’, da Rede Record por “ter aspirações rurais”.

Mas enquanto a fama em rede nacional não chega, Lucas investe no que o alçou ao status de celebridade revelada pela internet: seus ensaios sensuais.
Recentemente, o tema que o inspirou a provocar a “libido de milhares de pessoas” foi a vestimenta típica portuguesa. A escolha se deu pelo fato de o radialista estudar Português no curso de Letras da Universidade Estadual do Piauí. Esse, no entanto, é o sexto trabalho do gênero. Antes dele, Lucas já havia posado para as câmeras em trajes esportivos, usando a já citada máscara antigripe suína e comendo carambola - sendo esse último sua sequência de debute.

Quer mais? Senhoras e senhores, Lucas Celebridade:

B. Soraggi - Por que decidiu criar o seu blog?
Lucas Celebridade – Aqui em Luzilândia precisava de uma página de eventos e informações gerais, daí criei. Hoje, é um clamor não só local, mas também nacional.

B. Soraggi – De onde veio a ideia de fazer ensaios sensuais?
Lucas Celebridade –
Minha sensualidade mexe com a libido de milhares de pessoas. Sou outro tipo de conceito no que se refere a ensaios. No Brasil tudo está igual nesse quesito. Se eu fosse posar para uma revista, faria algo para polemizar.

B. Soraggi - Qual é, afinal, o seu trabalho?
Lucas Celebridade –
Ator: atuando há dois anos na “Paixão de Cristo” que acontece nas tradicionais semanas santas. Fiz Pilatos e Simão de Sirene, em 2008, e Hedores, em 2009. Também participei da peça “Capitu” encenada na Universidade Estadual do Piauí. Radialista há sete anos, passando por três emissoras: Cidade FM 103,9 e Alternativa FM 99.9, já extintas, e, atualmente, na Digital FM 98.5. Promoter: realizei festas como “A noite das celebridades”, em 2003, “O beijo do vampiro”, em 2008, e organizei a 1º dança Árabe Luzilandense, em 2004.. Cerimonialista: apresentei centenas de eventos, dentre eles formaturas, casamentos, festas de debutantes e eventos em geral. Colunista Social: escrevo para os sites www.luzilandia.com e www.ai5piaui.com.

B. Soraggi – Como você se define?
Lucas Celebridade –
Um artista, um showman, que precisa de oportunidades.

B. Soraggi – Você se considera famoso/celebridade?
Lucas Celebridade –
Sim, porém preciso de mais foco e de algo que faça com que eu exploda midiaticamente falando

B. Soraggi – Quem o batizou como Lucas Celebridade?
Lucas Celebridade –
Eu mesmo. Sabe, todo artista tem sua marca registrada, e eu quero causar impacto, para isso tenho que criar uma logomarca.

B. Soraggi – Desde quantos anos você resolveu ser famoso?
Lucas Celebridade –
Cresci vendo a Xuxa e a Tatyane Goulart interpretando a Bia, em Felicidade, junto com o Eduardo Caldas. Daí então veio meu anseio de interpretar. Eu sempre brincava de ficar no beco de minha casa apresentando programas de televisão olhando para o espelho.

B. Soraggi - Qual é o seu maior sonho?
Lucas Celebridade –
Participar de um reality show, ter um programa de TV, ou trabalhar num programa de comédia, mesmo que em quadros ou coisa do gênero. Tento participar do Big Brother Brasil desde a terceira edição, que foi quando eu completei 18 anos. Também adoraria participar de A Fazenda, da Record. Acho esse programa magnífico, pois tenho aspirações rurais. Minha cidade é em meio à natureza, então sei cuidar do rural da fazenda.

B. Soraggi – A edição de 2003 teve a participação da Sabrina Sato e do Dhomini, que eram competidores fortes. Você acha que conseguiria vencê-los?
Lucas Celebridade –
Claro! A Sabrina foi eliminada com 60% dos votos. Ela não era de ferro. Linda ela é, sou fã, mas Lucas é Lucas. Eu ofusco qualquer um.

B. Soraggi – O que você acha da Stefhany, sua conterrânea cantora de ‘No meu Crossfox’?
Lucas Celebridade –
Uma diva. Sua voz melodiosa consegue encantar a todos. Sempre toco as músicas dela no meu programa, porém acho que ela precisa divulgar mais o Piauí, falando sempre no Estado, pois nas poucas aparições que tive na mídia sempre destaco minha cidade e o meu Piauizão.

B. Soraggi - O que você faria para alcançar a fama?
Lucas Celebridade –
Bom, não vou perder as estribeiras para ganhar foco, quero ganhar fama com o conteúdo que tenho, com a envergadura que ostento.

B. Soraggi – O que é, aliás, a fama para você? Muito dinheiro, respeito, inveja… O que?
Lucas Celebridade –
Fama é tudo isso que você colocou. Faz parte! Porém eu quero ser muito famoso e conhecido sem puxar tapete de ninguém.

B. Soraggi – O que sua família acha de sua exposição na mídia?
Lucas Celebridade –
Eles gostam de tudo o que faço, me apoiam sim.

B. Soraggi – Tem namorada?
Lucas Celebridade –
Sou bissexual e lembro que perdi uma namorada por causa do meu primeiro ensaio. Eu e ela namorávamos escondidos e quando estourou na mídia nacional as fotos do meu ensaio da carambola, ela me ligou e pediu que eu esquecesse até o nome dela. Depois de algum tempo estava iniciando um namoro quando fiz o ensaio da gripe. Quando ele viu, ele disse para eu ir plantar batata.

B. Soraggi – Se acha bonito?
Lucas Celebridade –
Sim.

B. Soraggi – Acha que sua beleza vai ajudar na sua carreira?
Lucas Celebridade –
É um passo, mas como já falei, o conteúdo que tenho a explicitar é meu ponto forte e é muito mais que um rostinho bonito na tv. Sei mostrar trabalho.

B. Soraggi – Qual é, aliás, o plano para sua carreira? Onde pretende chegar?
Lucas Celebridade –
Pretendo, assim que me formar, ir nas televisões paulistas e cariocas pedir oportunidades. Não terei vergonha disso, mas se aparecer antecipadamente essas portas abertas eu irei sem nem pensar duas vezes.

B. Soraggi– Você se acha ‘exibido’? Acha que quer aparecer de mais?
Lucas Celebridade –
Sim, mas gosto de me exibir não para ser mais do que as pessoas, mas para sustentar meu ego, que se alimenta disso.

B. Soraggi – Acha que para alcançar a fama vale tudo?
Lucas Celebridade –
Muita coisa, menos roubar e matar.

B. Soraggi – Você acha que as pessoas te levam a sério?
Lucas Celebridade –
Uns sim. Outros levam para o lado ridículo. Essa relatividade é normal. Eu sou feliz!

B. Soraggi - E você?
Lucas Celebridade –
Sim! Sou radialista há sete anos, isso significa que tenho uma história de luta.

Veja todos os ensaios sensuais de Lucas Celebridade

E você, já conhecia o conhecia? O que achou? Deixe um comentário!

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futebol
por Bruno Brandão

Beneco nunca foi craque, mas também nunca foi um perna de pau reconhecido. Nos tempos de colégio, era fato que ele era um dos últimos a ser escolhido nas aulas de educação física, mas, jamais, era o jogador derradeiro a ser apontado para integrar uma equipe. Algumas vezes cumpria o seu papel, em outras, marcava o mais bonito dos gols contra nos inter-classes do Santo Arnaldinho, o colégio católico que Beneco estudou.

Em toda a sua carreira de boleiro amador, Beneco passou pelas mais diversas posições: goleiro, zagueiro, lateral, meio campo, líbero, velocista, torcedor, atacante, técnico, motivador e massagista. Brilhou um pouco (bem pouco) em cada uma delas e por falta de auxílio, não sabia o que falar:

- Você joga em que posição Beneco?

- Ah, qualquer uma.

E isso incomodava o jovem, porque o que ele mais gostava de falar era justamente disso: o esporte bretão, a peleja sagrada, o bate bola com malemolência, a pimba na gorduchinha, o futebol que sacia a vontade de diversão de qualquer brasileiro de estirpe. Beneco em seu dia a dia consumia tudo que envolvia futebol. Mas talvez por tanto gostar de bola, nunca soube chutá-la tão bem. E dizia sempre:

- Não posso maltratá-la, por isso pego leve.

Mas todo súdito, um dia vive, pelo menos, algumas horas de Rei. E Beneco, em mais uma de suas insistências no futebol, se inscreveu em um time que participava do Campeonato Interno do seu Clube, o Marajoara Athletic Club.

O Batalhão, nome da equipe, era o pior time do campeonato. Perdia partidas memoráveis por 5, 6, 7, 10 a zero, ou quando dava sorte, por 10 a 1. Figurava constantemente e orgulhosamente na última posição da tabela, que ficava bem fixada na entrada do Clube. Beneco não podia ter feito escolha mais feliz.

Mas em uma noite de maio, os ventos mudaram de direção.

O Batalhão, aos 5 do segundo tempo, já perdia por 4×1 do Titanic, segundo colocado do campeonato. Não restavam esperanças, o fôlego já havia se extinguido faziam eras e em uma última tentativa de reverter o resultado, Juca, o técnico, em voz baixa e desolada disse:

- Vai lá Beneco, entra nessa joça.

Beneco não falou nada, apenas levantou o meião, arrumou a caneleira, amarrou o calção, pôs a camisa pra dentro, alongou de forma bisonha e abraçou o companheiro que saía para dar lugar a ele. Em poucos cinco minutos lá estava o atleta postado em campo: elegante, passadas largas, cabeça erguida, porte que lembrava um Tostão misturado com Falcão, ou seja, a aparência perfeita de um craque.

Lembro que nessa época, Beneco jogava com a 21 e era reserva imediato dos atacantes do Batalhão e, rapidamente, por saber o seu objetivo da noite, se postou em frente à grande área em sua entrada no certame.

Poucos segundos depois em um escanteio, como se Deus levasse até lá, a bola veio parar no peito de Beneco. Do peito, para a coxa, da coxa para o pé e do pé…

Não leitor, o goleiro não pegou e tampouco a bola foi parar na quadra de Squash, a gordinha estufava a rede de forma graciosa e descansava no canto do gol, apoiada no gramado muito bem aparado. 4×2. O Batalhão diminuía a sua incomoda desvantagem.

Beneco recebeu tímidos cumprimentos, afinal seus companheiros conheciam as limitações do craque recém nascido e sabiam que tudo aquilo não passava de um lampejo de técnica. Mas eles estavam enganados.

A bola continuou a rolar e misteriosamente, rolava sempre a procura do desequilibrado jogador. Fernandinho, o lateral pançudo do Batalhão driblou desengonçadamente o zagueiro adversário e cruzou.

A bola vinha pelo alto e Beneco saltou. Ela descia e Beneco ainda no ar. Desceu mais um pouco e alcançou as longas madeixas do jogador. E de lá, elas foram parar no mesmo lugar em que estava há pouco tempo: na lateral bem no fundo do gol, repousada graciosamente no gramado bem cortado. 4×3. Mais um do Beneco.

Quando finalmente pousou em terra firme, o jovem não acreditava. Goleiro ao chão com a cara enfiada na grama, zagueiro com a mão na cabeça e Fernandinho, o pançudo, vindo correndo desesperadamente em sua direção. Golaço.

O Batalhão, inacreditavelmente, arrancava seus últimos suspiros de força nos pés do desacreditado Beneco. E a partir daí, o time começou a jogar o que nunca jogava em toda sua história. Defendia sua meta como uma Itália em Copa do Mundo e arrancava para frente como uma Holanda de 74.

E foi num desses contra-ataques que Rodésio, o meio campista de 1,58, dominou a bola e lançou Beneco. Domínio elástico no ar para colocar a bola no chão e, de frente para a grande área, um toque sutil entre as pernas do gigante zagueiro: lindo passe para Ulisses, o atacante veterano do time que num chute meio que sem querer, fuzilou o goleiro adversário que nada pôde fazer.

O Batalhão, numa noite histórica, empatava com o Titanic, time competitivo que ostentava cinco títulos do campeonato interno. 4×4.

Não havia tempo para muito mais coisa, o juiz, da mesma forma rápida que reiniciou a partida, a encerrou. O Batalhão conquistava o seu primeiro ponto em dois anos de vida e Beneco marcava o seu nome nos anais da equipe amadora.

O vestiário foi uma festa só. Todos agradeciam o garoto pela alegria daquele jogo, um por um, em fila, agradeciam Beneco pela noite inesquecível. Uma noite que jamais seria esquecida. Tanto para aqueles jogadores quanto para o jovem. A cerveja pós-jogo foi toda paga pelo Patrono do time, o Seu Cardoso que no brinde, saudou:

- Obrigado Beneco, por trazer alegria a todos nós. Um brinde!

O Batalhão terminou aquele campeonato em último com apenas um ponto conquistado e, por conta da desistência de seus jogadores, a equipe decretou falência naquele mesmo ano, para nunca mais se reunir novamente. Beneco também nunca mais voltou a ser o que foi naquela noite. Mas depois disso, não mais se incomodava com a ausência de técnica que lhe faltava da cintura pra baixo. Porque ao menos em um dia, ele tinha sido o maior jogador da Terra, o maior de todos, daqueles que recebem nota 9,0 do Lance!
E até hoje ele comenta quando vê algum profissional realizar grandes feitos em campeonatos por aí:

- Isso eu já fiz. Isso eu já fiz. E melhor.


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