Muito Horrorshow!
Cinco jovens juntam palavras e relatam momentos de nossas vidas que são assim: Muito Horrorshow!

havaia
por João Guilherme Pires

Tudo (sic):

“Uma agressão frontal às famílias brasileiras e aos valores Cristãos que deveriam nortear nossas ações, um comercial de sandálias mostra uma vó instigando à neta à promiscuidade e sexo sem compromisso. Nós conhecedores que valores Cristãos não mudam, diante dessa deturpação agressiva , não podemos ficar inertes e deixar sem resposta, é um verdadeiro lixo demoníaco que é jogado em nossos lares. De hoje em diante esta marca de sandálias não entra mais na minha casa e convido a todos cristão a fazer o mesmo boicote. Fiquei me perguntando o por que uma atriz de idade se prestou a este desserviço às nossas famílias, teria sido só pelo dinheiro? Ou realmente ela daria aquele nevasso conselho à uma neta. Não podemos mais deixar a perniciosa mídia destruir valores morais e éticos, nós Cristãos podemos reagir, não podemos mais admitir que a educação de nossos filhos tenha influencias tão avassaladoras e degradantes.”

“Infeliz este comercial, os avós devem passar valores que sirvam para a educação de seus netos e não torná-los vulgares, incentivando-os a ter relacionamentos baseados em sexo. Lamentável!”

“Não poderia deixar de manifestar minha indignação e protesto ao que demais absurdo e nojento adentrou em minha casa, neste dia de hoje, através da tela da tv, ou seja, um comercial: pobre, mesquinho, sem coteúdo e promiscuo. Não acredito que uma marca como “HAVAIANAS” conceituadíssima no mercado, com poder de MARKETING influente e atrativo à um público consumidor influente, possa ter aprovado a exibição de uma baixaria de tamanha falta de criatividade.Tenho pena dos atores, que sobrevivem destas imundísses.Vou protestar mais ainda:NÃO COMPRO MAIS HAVAIANAS.Divulgar e protestar absurdos como este, é o dever de todos que zelam pelo mínimo de moral, que ainda possamos ter.”

“Não bastaria as novelas, os reality-shou, as lucianas gimenes da vida para fazer apologia a promiscuidade, agora vem a havaiana que sempre foi tendenciosa em suas publicidades apelativa e desrrespeitosa com a familia brasileira, com este verdadeiro atentado aos valores morais. Será que o mundo se degradou tanto que até para se vender um produto utilitario e com qqualidade comprovada como havaianas nescessita deste tipo de comercial nocivo à formação dos jovens e adolecentes.”

“eita propaganda ridícula… onde já se viu uma avó incentivar uma putaria dessa.”

“Sempre soube que as Havaianas, como marca, é sinônimo de qualidade. No entanto, estou pasmo com esse comercial da avó incentivando a neta a promiscuidade. Não gostaria que minha sogra aconselhasse minha filha de 13 anos a conseguir sexo fácil e sem compromisso. Antes disso, gostaria que os mais velhos, ensinassem aos adolecentes de forma geral, os verdadeiros valores éticos e morais do sexo baseados nos princípios cristão. Já não basta a imagem que nosso país tem lá fora de uma nação corrupta e que possui um dos maiores índices de prostituição no mundo? Como mudaremos essa imagem lá fora, se não conseguimos transformar nossas ações que incentivam tais práticas internamente? Fica aqui meu protesto a esse comercial hediondo…”

“Sinceramente, alio-me aos demais com relação aos comentários aqui postados. “Eta Brasilsinho bom de passar um talo de fosco como já diria meu pai.” É um pouca vergonha. E as famílias brasileiras? e a moral? e a ética? que campanha exdruxula. Merecemos coisas melhores. Essa foi o cúmulo. E essa senhora nem tem vergonha na cara, uma senhora velha, tá certo, ganhou o dinheirinho dela prá fazer o comercial, mas eu sendo parente me envergonharia total. Registro aqui meu protesto e repito: HAVAIANAS NUNCA MAIS!”

Fiquei um tempo pensando no título desse texto. Não é possível que haja tanta gente azeda no mundo. Ou melhor, no Brasil. Porque em outros países, como Inglaterra ou Argentina, vemos uma publicidade que lida com as coisas do dia-a-dia de forma direta ou provocante. E convenhamos: sexo é rotina. Se você não concorda, tá precisando dar uminha.

Não acha? Oras, vamos começar do começo: todo mundo existe por causa do sexo e é claro que você sabe disso. Deveria ser a coisa mais natural do mundo, quiçá tanto quanto comer, dormir ou ir ao banheiro, coisas que são feitas desde que o homo sapiens é homo sapiens. E assim como banheiros e cozinhas, ambientes projetados para essas atividades primordiais, poderíamos perfeitamente ter o aposento do sexo, com acessórios e móveis criados especificamente para esse fim. Sei lá porque não temos. Taí uma idéia que, assim que dispor de dinheiros suficientes, vou tentar colocar em prática.

Mas voltando ao nosso dia-a-dia. Caceta, sexo está em todos os lugares. Ou é paranóia minha? Por exemplo: Manequins de Vitrine. Por que sempre tão atléticos? Barrigas sequinhas, peitinhos empinadinhos, músculos salientes. Porque não um magricelo, um baixinho ou uma gordinha? Tudo para os clientes acharem que, neles, as roupas vão ficar iguaizinhas e, com isso, terão melhor aproveitamento na sedução do sexo oposto.

Outro: roupas de trabalho. Num ambiente em que todas as relações deveriam ser profissionais, o que está fazendo aquela recepcionista com camisa decotada? Ou aquela advogada com calça social justinha? Se não tivesse sexo na jogada, a moda teria pendido para modelitos totalmente caretas, folgados, confortáveis e práticos. Salto alto não é prático.

E televisão? Essa eu nem precisava mencionar, mas vou. Reforça meu ponto de vista. Reality show só vale se tiver alguém com silicone e muita cena de biquíni. Novela da Globo sempre tem cenas quente. Faustão é um gordo enfeitado por dançarinas gostosinhas. Zorra Total é batata.

Isso sem contar Internet e os milhares de sites de putaria, as festinhas da faculdade, a literatura, o cinema e as demais artes que se valem do tema, e assim por diante.

Somando tudo, trabalho, entretenimento e o caminho entre um e outro, podemos concluir que somos expostos quase o tempo todo ao sexo ou à atributos periféricos.
E não vejo ninguém reclamar disso.

Aí uma velhinha estrela um comercial, fazendo uma piada a respeito de sexo e a negada se revolta? WTF?

E pera lá: desde quando avós são alicerces da moral e da ética? O Berlusconi é avô e vive aprontado. Pelado. Aquela velhinha que passava pó pro Johnny (o do filme), até onde eu sei era avó também. E o Sarney? É avô incontestável e vive de sacanagem com todos os brasileiros. Pouquíssimos reclamam.

Enfim, pra também não me estender demais, apresento já minha resolução para 2010. Estou me empenhando em virar poliglota afim de expandir meu leque de possibilidades de fuga para quando a caretice, a hipocrisia e a “castidade” forem insuportáveis. Afinal, do jeito que as coisas andam, como diz um colega de firma, logo logo o Brasil vai ser um Irã dominado pela Igreja Universal. E neste dia eu estarei longe, num clube de strip, numa praia de nudismo, num coffee shop de Amsterdam…


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mecenato
por João Vicente

Outro dia um grande amigo, em um desses bons papos que acontecem na mesa do bar, comentou para mim a respeito de determinado artista que havia se vendido, pois gravou uma música-tema para uma propaganda de cachaça. O artista em questão é Seu Jorge, que criou a canção “Eterna Busca”, até onde sei, para a Sagatiba. Com todo o respeito à perspectiva de meu companheiro, a conversa deu frutos interessantes e achei válido retratar um pouco do diálogo aqui.

Para começar, é de praxe a crítica a quem “se vende à máquina capitalista” porque estrelou alguma propaganda, usou marcas em troca de patrocínio ou, em casos mais extremos, como o de Seu Jorge, criou uma canção exclusivamente para uma marca. Na opinião destes críticos, haveria algo que mais macularia a arte em seu estado puro senão a criação em prol da mera venda de algum produto? Há casos clássicos de diferenças ideológicas a respeito destas questões, como a briga de Jello Biafra com sua ex-banda, o Dead Kennedys, em virtude da refutação do vocalista em permitir que uma música da banda fosse utilizada em um comercial da grife Levi’s. Para quem não está familiarizado, o Dead Kennedys foi uma renomada banda da cena do punk rock californiano dos anos 80, com letras politizadas que caminhavam da sátira à anarquia.

Acredito que exista validade no argumento, pois entendo a perspectiva de que não seria interessante vincular a posição de protesto da banda a uma marca mundial de roupas. No entanto, me pergunto se esta vinculação significaria, necessariamente, uma contradição ideológica à postura da banda. Em outras palavras, questiono se a vinculação de uma banda a uma marca ou até mesmo a criação com fins direcionados a venda de um produto são essencialmente uma afronta à pureza artística.

Cito, por exemplo, o caso recente de Mallu Magalhães. Em uma entrevista a um programa de televisão, a compositora citou a ampliação das possibilidades de produção de um artista por meio do atrelamento de marcas e produtos ao trabalho desenvolvido, em detrimento do contrato com gravadoras. Ou seja, na opinião de Mallu, existe, hoje, a possibilidade de distanciamento do esquema industrial engessado das grandes gravadoras. Como se sabe, o novo expoente da música brasileira associou suas canções a marcas como Vivo e a mencionada Levi’s. Na perspectiva deste que vos escreve, este novo modelo de mecenato abre a possibilidade para que um trabalho artístico verdadeiramente independente seja desenvolvido, pois permite com que o artista decida os rumos de suas criações, longe da vontade dos figurões das grandes gravadoras.

Além disso, vale lembrar que grandes obras da humanidade foram possíveis somente mediante a adoção do regime de mecenato. Por exemplo, a Capela Cistina de Michelângelo foi comissionada por mecenas, além de obras de Leonardo da Vinci, Shakespeare e Camões. Seria possível diminuir os feitos destes artistas, de alguma maneira, pelo mero fato de terem sido encomendadas por reis ou figuras que o valham?

Certamente, se vender para uma gravadora, que induz o artista a criar algo que não corresponde a sua genuína vontade, pode ser algo que corrompe a pureza da arte. Mas utilizar os recursos da alguma empresa para poder bancar suas criações me parece algo plenamente sensato, embora, em um primeiro olhar, pareça ser a “venda” de um artista. Não há dúvida de que no episódio de Seu Jorge a empresa mecenas teve impacto direto na criação. Porém, mesmo neste caso, não sei se o fato da canção ter sido encomendada constitui-se em um demérito para sua qualidade, enfim, musical. Além disso, não cabe a mim julgar se o resto das canções de Seu Jorge são comerciais ou não, mas, sem sombra de dúvida, o patrocínio da marca mencionada abre a possibilidade para que este compositor faça o que bem entender com todo seu trabalho remanescente. Seria como abrir mão de um pouco para poder ganhar muito mais depois. Acredito ser razoável admitir que os Los Hermanos só conseguiram bancar sua arte fortemente autoral após a explosão do hit “Anna Julia”. Assim como Roberta Sá deu as caras na indústria musical por meio do programa de televisão “Fama”, e hoje em dia desponta com uma MPB bem longe da mesmice midiática.

Em uma sabatina do programa Inside the Actor’s Studio, o diretor Francis Ford Coppola foi perguntado se para mudar o mundo era necessário seguir o rio para, depois, tomar a direção contrária. Coppola afirmou: “A resposta é provavelmente ‘sim’, é um equilíbrio delicado e você deve tentar acompanhar. Acompanhar o suficiente para ganhar experiência e algum grau de poder. Porém, você deve tentar então, talvez, manter-se verdadeiro ao que te inspirou em primeiro lugar, para que, uma vez com este poder, possa utilizá-lo de maneiras que nos ajudarão a caminhar em direção a um novo mundo que gostaríamos de construir”. E acaba sua intervenção com um chamado: “Saiam e mudem o mundo com arte!”. Consoante aos ditos de Coppola, creio que o trilhar de qualquer caminho contrário ao senso comum tem como boa companhia a paciência e o equilíbrio.


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guitar2
por Bruno Brandão

Tato é a prova que o Guitar Hero pode formar novos roqueiros. Desde o natal que ele “se deu” de presente o jogo, Tato nunca mais quis saber de outro estilo de música.

Tudo que ele consumia era relacionado aos mais rebeldes e famosos roqueiros. E olha que o Tato era micareteiro de primeira linha. Ele passou a comprar de tudo: dvd’s, biografias, tatuagens, cd’s, roupas e mulheres.

Isso mesmo. Mulheres. Desde que se afundou no mundo do Rock, Tato virou o maior namorado de puta de São Paulo. Depois de uma noite recheada de Guitar Hero, Tato se deliciava com suas moças.

E a cada noite, era uma fantasia diferente:

- Agora me chama de Rockstar.

- O quê?

- Me chama de Rockstar.

- Me ajuda agora a prender os móveis no teto.

- Eu preciso tirar a roupa?

- Depois de me ajudar sim.

- Fala que você deu pro meu segurança antes de chegar aqui!

- Que segurança?

- O meu segurança, fala que você também deu pro meu segurança!

E Tato começou a viver assim. Deixou o cabelo crescer, começou a beber diariamente, a usar drogas e o seu vício pelo Guitar Hero só aumentava.

Só usava roupa de couro, sabia de cor todas as marcas de laquê e praticava atrocidades nas pousadas que ele se hospedava em suas férias. Não era raro virmos cadeiras de praia sendo atiradas pela janela.

Tudo isso fruto do Guitar Hero.

Agora se você me perguntar se o Tato um dia se interessou em tocar guitarra de verdade, eu digo que não. Tato já tinha a sua vida de roqueiro.

E como ele sempre dizia:

- Tocar guitarra de verdade? Não, não, isso é trabalhoso demais.


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lucas
por B. Soraggi

Lucas Brito da Silva tem 24 anos, é radialista, cerimonialista, promoter, ator, cantor, colunista social, artista, bissexual… E com certeza quer chamar a sua atenção. Confira a entrevista exclusiva que ele concedeu ao nosso repórter.

Você provavelmente não o conhece, mas ele com certeza quer a sua atenção. Nem que para ganhá-la tenha que posar vestido com uma máscara médica para um ensaio “sensual” em alusão à gripe suína e postar as fotos em seu blog que funciona como uma espécie de coluna social de sua pequena cidade, o município de Luzilândia (PI), com aproximadamente 25 mil habitantes. Seu nome é Lucas Brito da Silva, tem 24 anos e é radialista, cerimonialista, promoter, ator, cantor, colunista social, artista, bissexual… Ou, como ele próprio se descreve, uma pessoa “multiuso”.

“Sou um Showman. Um misto de funções. Um clamor!”, esclarece. Isso talvez explique a alcunha com a qual fora (auto) batizado: Lucas Celebridade. “Todo artista tem sua marca registrada, e eu quero causar impacto. Para isso criei essa logomarca”, afirma. “Não vou perder as estribeiras para ganhar foco. Quero ganhar fama com o conteúdo que tenho, com a envergadura que ostento”, esclarece. Se dependesse apenas dele, toda essa capacidade já seria nacionalmente conhecida desde 2003, ano no qual tentou pela primeira vez participar do Big Brother Brasil. “A Sabrina seria uma competidora de peso, mas eu ofusco qualquer um. Ela é linda, sou fã dela, mas Lucas é Lucas!”, constata. Também aceitaria participar do atual reality show ‘A Fazenda’, da Rede Record por “ter aspirações rurais”.

Mas enquanto a fama em rede nacional não chega, Lucas investe no que o alçou ao status de celebridade revelada pela internet: seus ensaios sensuais.
Recentemente, o tema que o inspirou a provocar a “libido de milhares de pessoas” foi a vestimenta típica portuguesa. A escolha se deu pelo fato de o radialista estudar Português no curso de Letras da Universidade Estadual do Piauí. Esse, no entanto, é o sexto trabalho do gênero. Antes dele, Lucas já havia posado para as câmeras em trajes esportivos, usando a já citada máscara antigripe suína e comendo carambola - sendo esse último sua sequência de debute.

Quer mais? Senhoras e senhores, Lucas Celebridade:

B. Soraggi - Por que decidiu criar o seu blog?
Lucas Celebridade – Aqui em Luzilândia precisava de uma página de eventos e informações gerais, daí criei. Hoje, é um clamor não só local, mas também nacional.

B. Soraggi – De onde veio a ideia de fazer ensaios sensuais?
Lucas Celebridade –
Minha sensualidade mexe com a libido de milhares de pessoas. Sou outro tipo de conceito no que se refere a ensaios. No Brasil tudo está igual nesse quesito. Se eu fosse posar para uma revista, faria algo para polemizar.

B. Soraggi - Qual é, afinal, o seu trabalho?
Lucas Celebridade –
Ator: atuando há dois anos na “Paixão de Cristo” que acontece nas tradicionais semanas santas. Fiz Pilatos e Simão de Sirene, em 2008, e Hedores, em 2009. Também participei da peça “Capitu” encenada na Universidade Estadual do Piauí. Radialista há sete anos, passando por três emissoras: Cidade FM 103,9 e Alternativa FM 99.9, já extintas, e, atualmente, na Digital FM 98.5. Promoter: realizei festas como “A noite das celebridades”, em 2003, “O beijo do vampiro”, em 2008, e organizei a 1º dança Árabe Luzilandense, em 2004.. Cerimonialista: apresentei centenas de eventos, dentre eles formaturas, casamentos, festas de debutantes e eventos em geral. Colunista Social: escrevo para os sites www.luzilandia.com e www.ai5piaui.com.

B. Soraggi – Como você se define?
Lucas Celebridade –
Um artista, um showman, que precisa de oportunidades.

B. Soraggi – Você se considera famoso/celebridade?
Lucas Celebridade –
Sim, porém preciso de mais foco e de algo que faça com que eu exploda midiaticamente falando

B. Soraggi – Quem o batizou como Lucas Celebridade?
Lucas Celebridade –
Eu mesmo. Sabe, todo artista tem sua marca registrada, e eu quero causar impacto, para isso tenho que criar uma logomarca.

B. Soraggi – Desde quantos anos você resolveu ser famoso?
Lucas Celebridade –
Cresci vendo a Xuxa e a Tatyane Goulart interpretando a Bia, em Felicidade, junto com o Eduardo Caldas. Daí então veio meu anseio de interpretar. Eu sempre brincava de ficar no beco de minha casa apresentando programas de televisão olhando para o espelho.

B. Soraggi - Qual é o seu maior sonho?
Lucas Celebridade –
Participar de um reality show, ter um programa de TV, ou trabalhar num programa de comédia, mesmo que em quadros ou coisa do gênero. Tento participar do Big Brother Brasil desde a terceira edição, que foi quando eu completei 18 anos. Também adoraria participar de A Fazenda, da Record. Acho esse programa magnífico, pois tenho aspirações rurais. Minha cidade é em meio à natureza, então sei cuidar do rural da fazenda.

B. Soraggi – A edição de 2003 teve a participação da Sabrina Sato e do Dhomini, que eram competidores fortes. Você acha que conseguiria vencê-los?
Lucas Celebridade –
Claro! A Sabrina foi eliminada com 60% dos votos. Ela não era de ferro. Linda ela é, sou fã, mas Lucas é Lucas. Eu ofusco qualquer um.

B. Soraggi – O que você acha da Stefhany, sua conterrânea cantora de ‘No meu Crossfox’?
Lucas Celebridade –
Uma diva. Sua voz melodiosa consegue encantar a todos. Sempre toco as músicas dela no meu programa, porém acho que ela precisa divulgar mais o Piauí, falando sempre no Estado, pois nas poucas aparições que tive na mídia sempre destaco minha cidade e o meu Piauizão.

B. Soraggi - O que você faria para alcançar a fama?
Lucas Celebridade –
Bom, não vou perder as estribeiras para ganhar foco, quero ganhar fama com o conteúdo que tenho, com a envergadura que ostento.

B. Soraggi – O que é, aliás, a fama para você? Muito dinheiro, respeito, inveja… O que?
Lucas Celebridade –
Fama é tudo isso que você colocou. Faz parte! Porém eu quero ser muito famoso e conhecido sem puxar tapete de ninguém.

B. Soraggi – O que sua família acha de sua exposição na mídia?
Lucas Celebridade –
Eles gostam de tudo o que faço, me apoiam sim.

B. Soraggi – Tem namorada?
Lucas Celebridade –
Sou bissexual e lembro que perdi uma namorada por causa do meu primeiro ensaio. Eu e ela namorávamos escondidos e quando estourou na mídia nacional as fotos do meu ensaio da carambola, ela me ligou e pediu que eu esquecesse até o nome dela. Depois de algum tempo estava iniciando um namoro quando fiz o ensaio da gripe. Quando ele viu, ele disse para eu ir plantar batata.

B. Soraggi – Se acha bonito?
Lucas Celebridade –
Sim.

B. Soraggi – Acha que sua beleza vai ajudar na sua carreira?
Lucas Celebridade –
É um passo, mas como já falei, o conteúdo que tenho a explicitar é meu ponto forte e é muito mais que um rostinho bonito na tv. Sei mostrar trabalho.

B. Soraggi – Qual é, aliás, o plano para sua carreira? Onde pretende chegar?
Lucas Celebridade –
Pretendo, assim que me formar, ir nas televisões paulistas e cariocas pedir oportunidades. Não terei vergonha disso, mas se aparecer antecipadamente essas portas abertas eu irei sem nem pensar duas vezes.

B. Soraggi– Você se acha ‘exibido’? Acha que quer aparecer de mais?
Lucas Celebridade –
Sim, mas gosto de me exibir não para ser mais do que as pessoas, mas para sustentar meu ego, que se alimenta disso.

B. Soraggi – Acha que para alcançar a fama vale tudo?
Lucas Celebridade –
Muita coisa, menos roubar e matar.

B. Soraggi – Você acha que as pessoas te levam a sério?
Lucas Celebridade –
Uns sim. Outros levam para o lado ridículo. Essa relatividade é normal. Eu sou feliz!

B. Soraggi - E você?
Lucas Celebridade –
Sim! Sou radialista há sete anos, isso significa que tenho uma história de luta.

Veja todos os ensaios sensuais de Lucas Celebridade

E você, já conhecia o conhecia? O que achou? Deixe um comentário!

Essa reportagem também foi publicada no IG Jovem, clique aqui para acessar!


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faustao4
por João Guilherme Pires

Almeida. Assassino profissional. Pós Graduado. Atualmente cursando Técnicas de Tortura Medieval em Oklahoma. Sempre que escrevo isso, tenho a impressão de estar copiando alguém. Não sei. Não importa. Pessoas como eu, aliás, se importam pouco com coisas. É a vida. Ou a morte, no meu caso.

Às vezes me pego pensando nas putas: elas, como eu, devem ver cada coisa por causa da profissão que exercem. Passagens inenarráveis, fatos absurdos, gordos impotentes e cheiradores.

Gordos. É deles que vou falar hoje. Gordos são difíceis de se lidar. Ocupam espaço, suam, encarecem a conta, sujam a camisa de molho. Roncam.

Mas não foi nada disso que levou meu caminho a cruzar o de um gordo especial. Você deve conhecer. Ele vive na televisão.

A história começou na Rússia, alguns anos atrás. Conheci o Oleg Nikiforov em um albergue na Letônia. Eu estava num mochilão. Eram outros e inocentes tempos. Russo, Oleg era um jovem militante comunista, estudante de filosofia na Universidade de Lomonosov, em Moscou. Saudoso dos tempos da Revolução de Outubro, das greves operárias, do Trotskismo e dos gulags soviéticos. Mais tarde entendi: era workholic e adepto de práticas sadomasoquistas.

Certo feita, há algumas semanas, ele me ligou:

- Almeida?
- Quem fala?
- Oleg, Oleguinho.
- Quem?
- Letônia, nos conhecemos em uma festinha muito louca. Lembra? No final você estava num 69 alucinado com aquelas gêmeas siamesas…
- Sei sei, pode falar.
- Preciso dos seus serviços.
- Vamos nos encontrar.

Marcamos no Filial, um movimentado bar da Vila Madalena que remete aos anos 50, com chope cremoso (Brahma, 330ml, R$ 4,50), colarinho caprichado e horário flexível. No dia da visita, a linguiça toscana com couve-flor não decepcionou.

- R$ 5 milhões! R$ 5 milhões por mês e tanta gente no mundo na miséria!
- Entendo.
- Você consegue?
- Sou um profissional. Mas o cachê será alto.
- Temos R$ 20 milhões.
- Acho que dá…

Ele me explicou. A notícia de que um famoso apresentador de televisão do Brasil renovou seu contrato por um valor astronômico repercutiu nas inúmeras e perseverantes organizações comunistas do mundo. O Partido Comunista da Rússia então resolveu agir, acreditando ser essa a oportunidade para o primeiro novo passo em direção à Ditadura do Proletariado. Arrecadou doações, mobilizou integrantes do partido, vendeu vodkas artesanais, patrocinou ensaios nús de tenistas russas, cooptou Partidos Comunistas ao redor do mundo e, por fim, chegou à soma em questão. Restava agora arranjar alguém quem fizesse o serviço.

- Fechado. Aguarde notícias.

O planejamento foi minucioso. A vítima vivia em uma mansão imponente, digna de seu porte físico. E, como era de se esperar, muito bem vigiada. Mas um bom profissional supera os obstáculos, basta apenas ter um bom estratagema.

Enfim chegou o Dia D. Ou Dia G. Não revelarei os meios – repudio o Mister M -, mas me desvencilhei do que era necessário e fiquei em posição. Bastava aguardar o momento certo para o golpe fatal.

Vi que ele chegou. Aliás, fui implacavelmente informado, pois assim são os gordos quando adentram um aposento.

Ao aplicar a tática do estrangulamento com fio ultra-fino-que-sai-do-relógio-de-pulso, fui surpreendido e falhei. É. Um erro de cálculo. A arma era feita para pescoços normais. Não contava com aquela camada extra de gordura que não me permitiu travar o golpe. Ele reagiu:

- Ô loco meu!

Eu estava rendido. A missão teria de ser repensada. Resolvi adotar a tática chinesa do Xian. Significa Finjo-que-me-arrependi-e-sou-seu-amigo:

- Desculpe…. eu…fui contratado para matar você.
- Olha aí meu, grande fera!
- É…
- Eeeeita!
- Pois é. Mas deixa pra lá, vou indo nessa.
- Como você chama?
- Almeida.
- Glorioso Almeida, quem contratou você?
- Não posso revelar.
- Grande fera bicho, profissional de respeito. E vão pagar quanto?
- Não revelo.
- Eu dobro, pra você não me matar.
- …
- …
- Fechado.

Desculpe decepcionar algum leitor, mas foi isso que aconteceu: o gordo comprou a própria vida. No fundo, até simpatizava com a causa de Oleg. É muita grana pra uma pessoa só. E ele nem faz os merchandisings direito. Nunca sabe de quem ou do quê está falando. Mas o mundo é assim. Rorschach que o diga. Paciência. Negócios são negócios. E uma coisa que gordos sabem fazer bem é negociar. Ninguém consegue atingir um tamanho assim sem algum poder de persuasão.


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